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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Quando se põe em causa o que é realmente importante na vida

Ando numa de poupança e isso inclui dar volta aos roupeiros e tentar alterar roupas que já têm uns anos e transformá-las em peças que ainda possa usar.

Há aquelas calças que são largas e basta apertar um pouco, o vestido que já fica demasiado justo que depois de cortado vira camiseiro ou um top, ou outro demasiado comprido e basta subir a bainha e por aí fora...

 

Para estes pequenos arranjos recorro sempre à D. Isabel, uma senhora já de idade, que em tempos foi uma grande costureira e agora entretém-se a fazer pequenas coisas e por um preço bem baratinho. Vive numa casa isolada numa aldeia, portão verde e toda murada. Quando abre a porta, recebe-me sempre com um bonito sorriso, vêm os dois gatinhos, o cãozinho ainda novo que não pára um minuto. Há um jardim colorido com todas as espécies de flores da época dispostas em vasos e canteirinhos.

 

Nas traseiras há o galinheiro, a coelheira e um grande quintal onde o seu marido semeia de tudo um pouco e árvores de fruto também não faltam.

 

Gorducha, de saia aos quadrados, óculos na ponta do nariz e um barrete na cabeça, leva-me para uma pequena sala de costura atolada de papéis, roupa e a velha máquina de costura. Marcam-se bainhas, ouvem-se sugestões e dois ou três dias depois está tudo impecavelmente pronto. Aproveito sempre para tirar umas fotos e despedimo-nos com um sorriso.

 

No regresso comecei a pensar na paz que reinava naquela casa. Será que a D. Isabel se preocupa em vestir roupas bonitas? Será que usa cremes na cara e no corpo? Terá telemóvel e uma televisão com muitos canais? Irá ao cabeleireiro tão frequentemente como eu vou? Irá a festas sem ser as religiosas lá da aldeia? Estará preocupada com a crise? Fará dieta? Preocupa-se com o seu aspecto exterior?

 

Depois destas reflexões e hoje sentada aqui, senti uma certa inveja da D. Isabel, da paz que respira, da tranquilidade daquele olhar, da sua paciência, das flores, do campo, dos animais, da fruta que vai crescendo nas árvores, do cacarejar das galinhas, pequenas grandes coisas que fazem com que as minhas preocupações sejam supérfluas e a minha ansiedade em ter isto ou aquilo, em ir aqui ou ali, sejam banalidades que na verdade poderia muito bem dispensar. Por momentos senti uma vontade enorme de fugir do meu mundo.

 

 

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