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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

A minha primeira vez na urgência de um hospital

Nunca tinha entrado nas urgências de um hospital, mas desta vez e por causa de um jantar mais pesado a que não estou habituada, o estômago não aceitou e uma dor fortíssima apoderou-se de mim.

 

Bebi chá, provoquei o vómito, tomei um remédio que tinha cá em casa que servia para proteger as paredes do estômago, mas todos os meus esforços foram em vão.

 

A dor agudizava-se, já prestes a desmaiar resolvi pedir ajuda. Pensar que ia para um hospital e depois de ler e ouvir todas as anomalias que se passam nos serviços de urgência, tudo  estava a ser um pesadelo.

 

Entrei em cadeira de rodas agarrada ao estômago, esperei até fazer a triagem e passada uma meia hora colocaram-me uma pulseira laranja. Fiquei a saber que as cores diferenciavam o estado da situação do doente.

 

Encontrei entretanto um amigo que já estava há 3 horas à espera, depois de se sentir mal do coração. fiquei a saber ainda, que nesse dia estava com sorte porque há muito tempo não havia tanta calma nas urgências.

 

Então isto está calmo e nunca mais me chamam? -pensei eu para os meus botões. Estava em pânico e as dores não acalmavam. Ficar internada era coisa que não me passava pela cabeça, tenho pavor de hospitais e lembrava-me do que me disse um dia o meu médico -se tiver de ser internada, faça tudo para sair o mais rápido possível, entra com uma doença e sai de lá com duas ou três, aquilo é uma fonte de bactérias.

 

Finalmente fui chamada e fui atendida por um médico muito simpático que depois de me encher de perguntas, auscultar, medir a tensão arterial me disse que tinha de ficar ali algum tempo, iam introduzir-me numa veia dois medicamentos para ver se a dor passava.

 

Só me apetecia deitar, mas nem uma cama ou maca havia por ali enquanto um sono horrível se apoderava de mim, mas em contrapartida as dores diminuíam.

 

Só passado algum tempo entrou o meu amigo para fazer análises , electrocardiograma e radiografias, não sei por quanto tempo lá ficou, eu felizmente saí antes dele.

 

Observei os movimentos, os procedimentos e espantou-me o facto de ver por ali pessoas idosas sentadas à espera , sem que ninguém lhes dissesse nada. Falta carinho, humanidade, uma palavra de ânimo , um esclarecimento do que se vai passar. De olhar perdido, abandonados e conformados, por ali estavam num corredor, uns entubados, outros com soro, outros a suspirar e a gemer de dor.

 

Espreitei para o consultório e vi o médico e pedi-lhe por favor para me mandar embora.

-Mas sente-se melhor? -perguntou- sinto, só quero sair daqui e dormir. - É natural o medicamento que lhe dei provoca muito sono, entretanto dou-lhe alta. 

 

Saí já sem dores e aliviada e hoje sentada aqui penso nos idosos, crianças e toda a gente que espera horas infinitas por assistência, na maior parte das vezes com quadros clínicos gravíssimos.

 

Não sei de quem é a culpa deste mau funcionamento das urgências, mas concluo que algo está muito mal neste país a nível de saúde e só será que está mal  na saúde ou na maior parte dos serviços? Só sei que estamos entregues aos bichos e é o salve-se quem puder.

 

 

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