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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sensibilidade, bom senso e muita tolerância...

 

Hoje decidi que ia escrever sobre determinado tema, mas depressa mudei de ideias.

 

Gosto de vaguear pela blogosfera, de me perder entre poemas, desabafos, muito humor, análises das últimas acrobacias políticas, opiniões tão diversas que fazem deste mundo um lugar onde gosto de perder-me, ora rindo, ora pensando, reflectindo e sobretudo aceitando...aceitando diferenças.

 

Este é um lugar idêntico ao que nos é dado a ver lá fora, há diferença nos tons, nos sons, nos olhares, nos gestos, que são substituídos por emoções, umas vezes apaziguadoras, outras muito constrangedoras e de difícil digestão literária.

 

Aqui as palavras têm mais força, uma força por vezes demasiado demolidora, pouco construtiva e que serve de escape para aliviar frustrações daqueles que no dia a dia não têm coragem de dizer cara a cara o que lhes vai na alma. 

 

Mas vamos lá acabar com estas reflexões lamechas e justificar este palavreado todo.

 

Quando alguém escreve sobre um assunto com o qual não concordamos, podemos manifestar-nos, com críticas construtivas e um diálogo o mais assertivo possível , sem provocar constrangimentos e faltas de respeito, usando palavras que de modo nenhum dignificam quem delas faz uso....penso eu que deve ser assim, foi como me ensinaram os meus paizinhos.

 

Agora quando leio comentários com todo o tipo de impropérios, de bocas ordinárias, de difamações, acusações chocantes e falta de educação, só porque se discorda da opinião de determinada pessoa, fico agoniada e triste.

 

Podia deixar aqui uma série de links que confirmariam tudo o que acabo de dizer, mas não seria novidade para ninguém, fica apenas o desabafo de alguém que anda aqui para aprender, trocar ideias e dar umas boas gargalhadas, porque ainda acredito que vale a pena estar sentada aqui.

 

 

Profissões com futuro

Todos os dias me defronto com mais uma subida de preço disto ou daquilo, todos os dias faço um exercício contabilístico para que o meu saldo bancário não desça a ponto de descambar. Os meus pequenos luxos já há muito foram esquecidos e nem a tentação dos saldos me demoveu deste meu propósito de luta contra o supérfluo.

Dizem que nestas alturas temos de colocar a imaginação a trabalhar, que a inovação, a criatividade, as escolhas de caminhos diferentes são o segredo para conseguir dar a volta à crise instalada.

Como não sou mulher de lamentações nem tão pouco tenho jeito para me armar em coitadinha, já desatei a investigar quais as actividades que dão dinheiro, quais as que não pagam impostos, onde não há recibos e que nestas alturas têm mais saída.

 

Podia começar por aí a fazer limpezas extra horário laboral, mas a fragilidade deste esqueleto iria dar logo sinal e seria pior a emenda que o soneto, portanto está fora de questão.

Se fosse homem, uns biscates de electricidade, canalização, electricidade, ou jardinagem, podiam dar uns trocos extras, mas como não sou, tenho que colocar esta hipótese de parte.

 

Uma para farmácia...isso mesmo, um bom negócio, eu bem reparo nos chás, xaropes, gotas, cápsulas que aí se vendem e onde não há comparticipações nem prescrição médica porque o nosso governo não reconhece este tipo de medicação; eu própria não dispenso o meu precioso Q10 que vai protegendo os meus neurónios da morte certa, mas adiada...mas há que ter capital para investir, portanto este negócio fica de fora.

 

E sentada aqui a minha imaginação não pára...que tal enveredar pelo esoterismo, ciências ocultas e afins...cartomante, astróloga, quiromante, reflexóloga, quiróloga, mestre de Reiki...dizem que em alturas destas são as actividades que têm mais procura e é ver o pessoal a desembolsar umas massas valentes na esperança de que alguém lhes diga que a vida vai melhorar; recibos estão fora de questão, é dinheiro que entra limpinho.

 

Já descobri, o meu negócio vão ser os números, numeróloga parece-me bem e vou já começar na sexta feira a jogar no euromilhões.

 

Dormir numa cápsula

  

 

Já passa a ser um hábito ver na RTP1 o programa "Portugueses no Mundo", que nos vai mostrando através do olhar de alguns portugueses, como se vive, principais atracções, roteiros culturais e gastronómicos, costumes e experiências de quem um dia virou costas a este rectângulo e resolveu partir, ou para trabalhar ou para estudar noutro país.

Este Sábado conhecemos o Japão, grande metrópole com um ritmo e hábitos de vida muito diferentes dos nossos.

 

Despertou-me a atenção e espicaçou-me a curiosidade quando se falou e mostrou um hotel cápsula, um conceito de alojamento que desconhecia e que são usados por gente que precisa apenas de passar uma noite, homens de negócios principalmente. As pessoas dormem num mini quarto, onde dispõem de televisão, despertador e música. Os sanitários e zonas de duche são comuns, mas mantêm-nos sempre impecavelmente limpos.

 

Pensei cá para comigo que seria interessante construirem este tipo de alojamento nos aeroportos em que se têm de esperar imensas horas por nova ligação. Fui à net pesquisar e fiquei contente quando li que o 1º hotel cápsula foi inaugurado em 2007 em Gatwick em Londres e que Nova Iorque e Amesterdão já têm estes hotéis num ou outro aeroporto

 

Sentada aqui lembrei-me como seria bom que as grandes metrópoles, que vêem aumentar  o número  dos sem abrigo, deveriam  olhar para ideia e construir umas quantas cápsulas, que iriam diminuir o espectáculo degradante de um ser humano estendido debaixo de uma ponte, embrulhados em cartões e sobrevivendo desumanamente neste mundo de desigualdades sociais tão gritantes. Será que é possível que este meu sonho se torne realidade?

 

Quero uma rua com o meu nome...pode ser?

 

 

Foto de Sentaqui

Pasmei quando li aqui que um grupo de amigos do Carlos Castro foi entregar uma proposta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, para que fosse dado o nome de uma rua da capital ao cronista falecido.

E pergunto eu...A que propósito?...Que fez de importante esse senhor para a sociedade?... Será que me escapou alguma coisa?

Pelo que eu sei e todos sabem era um simples colunista de revistas cor-de-rosa e entretinha-se a fazer comentários vulgares a algumas personagens do jet set.

Será isso suficiente para que tenha o  mérito de vermos o seu nome  estampado numa qualquer rua de Lisboa?

 

Então e outros portugueses que dignificaram o nome de Portugal, que o deram a conhecer lá fora e cá dentro e tiveram uma vida rica, com valores, cultura e sentido patriótico? Ainda não vi nenhum movimento a pedir nome  fosse de quem fosse, para uma rua, ruela ou praceta.

 

Se é assim tão fácil, eu atrevo-me a sugerir aqui à vizinhança que peçam ao autarca cá do sítio uma rua com o nome da Maria, que sentada aqui se vai entretendo a escrever umas coisas que interessam a pouca gente, a exemplo da escrita do tal senhor; se não for possível, que pelo menos se lembrem de todas as marias que existem por esse Portugal fora... anónimas,  diligentes, mães, mulheres, trabalhadoras, que se esforçam e dão o máximo de si e que por vezes sofrem em silêncio as agruras de uma sociedade que por vezes é madrasta, quando se trata de reconhecer o real valor da sua entrega.

 

E para não pensarem que eu faço descriminação entre mulheres e homens, sei que há por aí muitos manéis que mereceriam serem lembrados, reconhecidos e homenageados.

 

Não acredito que haja o mau senso e que se distorça o significado do que é verdadeiramente a justiça, a cultura, a obra, o desempenho de muitos cidadãos, se alterem conceitos e de repente nos façam pensar que, ou nós estamos doidos, ou querem-nos fazer passar por isso. 

 

 

Eu e o Valentim

 

Foto de sentaqui

 

Faz hoje dois anos estava em Roma, e o ano passado por esta altura estava a Oriente, mas disso talvez fale mais tarde

Estas peregrinações turísticas, não têm nada a ver com o Valentim, aliás já há muito que deixei de lhe dar importância, ignorando definitivamente o constante assédio desse senhor, em retaliação ao sucessivo abandono e esquecimento a que fui sujeita.

Durante muito tempo esperei por uma simples caixinha de chocolates, uma flor, um jantar romântico ou a surpresa de uma ida para um destino de luxo, mesmo que moderado...e nada.

Enquanto eu alimentava a esperança de um dia diferente, ele andava por aí a pavonear-se, colorindo outros corações e vaidosamente  vangloriava-se de ser protagonista de histórias de amor algumas das quais apenas duravam um dia, de ser causador de iniciativas amorosas e surpreendentes com um ou outro pedido de casamento, ou uma declaração de amor que há muito tinha sido preparada. Para reforçar ainda mais o seu ego, comerciantes esboçavam rasgados sorrisos ao olhar para a caixa registadora no final do dia.

 

Houve tempos em que me magoava essa indiferença, mas aos poucos fui percebendo que só o facto de ver tanta gente feliz por causa dele, deixei de me desgastar inutilmente com as suas ausências e ainda hoje sentada aqui, meia às escondidas, vou descobrindo alguns eventos que me deixam pasma e surpresa pela inovação, espírito empreendedor de pessoas que levam a cabo iniciativas, no mínimo surpreendentes, uma delas foi tomada pela aurtarquia de Beja que decidiu contemplar com uma série de programas que não deixaram ninguém de fora, mesmo os livres e desimpedidos, organizando o "Baile dos Encalhados", para além de workshops de comida afrodisíaca, "Sexy food", bailes românticos...manifestações de amor que muitos recordarão e outros esquecerão voltando no dia seguinte às rotinas de sempre.

Para uns o amor sairá reforçado, para outros será apenas a continuação da ilusão de que tudo está bem.

 

Seja como for continuo indiferente e ausente destas manifestações, prefiro deixar-me surpreender num outro dia qualquer, comemorar o amor noutras horas, num outro mês ou em todos os dias do ano.

 

Nota:

Para todos os que amam e são amados, para aqueles que têm nas suas relações motivos para festejar, desejo um dia muito feliz!

 

Bom fim de semana

 

Foto de Sentaqui
 

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

(David Mourão Ferreira)

 

E por vezes estou sentada aqui....

 

Eles queixam-se e elas também

 

 

O facto de estar sentada aqui, não me converte numa simples espectadora do que se passa lá fora, nem me deixa alapada à espera que a vida passe. Daqui ouço desabafos, faço leituras, tiro conclusões, analiso, aprendo e sobretudo não faço questão de limitar a minha prosa a determinados assuntos...deixo que se soltem ideias, emoções e sentimentos e já me posso dar ao luxo de dizer tudo aquilo que quero e que isso não me importe. Esta introdução mais ou menos banal serve para justificar uma das minhas incursões revisteiras que me levaram a encontrar um título que me chamou à atenção..."O testemunho de cinco homens acerca do que odeiam na cama..." no caso referiam-se ao aspecto de alguns pequenos nadas que os incomodavam nas suas parceiras fixas ou ocasionais.

 

Inevitavelmente lembrei-me de alguns desabafos de amigas que me confidenciaram alguns comportamentos de potenciais pretendentes a uma vida em comum, não sem antes e ainda bem, testarem a performance sexual dos candidatos.

 

Recordei o desânimo da que contrariamente ao que tudo fazia supor, dado o aspecto físico bem apessoado e transpirando virilidade do parceiro, o viu estatelado na cama de barriga para o ar, encostado ao espaldar da cama, como se estivesse numa esplanada, e ela que se mexesse, só faltava o cigarro e o prato de tremoços na mesinha de cabeceira.

 

Do bem falante, culto, com sentido de humor, boa formação académica e comportamento exemplar, do senhor que  julgava ser o "tal", apesar da enorme diferença de idades, o que aparentemente não constituía problema. O senhor ficou tão contente com o desempenho da sua parceira que julgou ter ali algum futuro, mas...há sempre um mas, o dito cujo ressonou toda a noite e ela não pregou olho.

De manhã levantou-se e enquanto ele fazia a sua higiene matinal, ela foi preparar-lhe o pequeno almoço enquanto à cozinha chegavam todos os sons menos agradáveis de se ouvir, só porque a porta do wc. não se fechava sozinha.

 

Podia continuar a desenrolar uma série de confidências mais ou menos hilariantes, e de comportamentos que não abonam a favor do sexo oposto e isso deixava-me com a incómoda sensação de que meço tudo pela mesma bitola.

 

Felizmente são mais as coisas boas que vão sendo motivo de desabafo aqui neste assento do que as menos lisonjeiras e o certo é que todos, homens ou mulheres têm sempre queixas, ou não, há ainda por aí muita gente que vive as suas relações com o muito prazer e equilíbrio...valha-nos isso!

Cidades do interior

 

Foto de Sentaqui

Durante muitos anos falou-se e viram-se muitas cidades do interior norte, votadas ao abandono, de ar tristonho, onde parecia que o tempo tinha parado, contentando-se os amigos da natureza e da preservação do património, a olhar com alguma tristeza a degradação sempre crescente, já não acreditando que houvesse volta a dar. As vias de comunicação tornavam inacessíveis e cada vez mais inóspitos esses burgos de beleza natural genuína e tudo levava a crer que iriam ficar eternamente mergulhados no cinzento das paredes de tinta já descascada pelo tempo, e uma população envelhecida conformada com o abandono e com o destino que se previa madrasto.

 

Felizmente o cenário mudou e já o tinha notado há uns tempos quando visitei Vila Real de Trás-os-Montes e este fim de semana ao visitar Chaves não tive dúvidas de que algo mudou para melhor, e vivendo eu numa cidade do litoral centro, constatei que nós por aqui é que estamos atrasados, amontoando-se o betão por todo o lado e onde o verde vai sendo cada vez mais raro, para já não falar do custo de vida que é muito mais alto cá por estas bandas.

 

Chaves apareceu-me resplandecente, limpa, florida, com gente bonita e onde o rio Tâmega se espreguiça em águas calmas e transparentes ladeado por parques relvados e árvores que se miram vaidosas naquele espelho de água.

 

Ruas estreitas, com casinhas de varandas coloridas e onde dá gosto veranear, descobrindo em cada esquina sempre motivos de deleite para os olhos.

 

Vale a pena comparar os preços dos alimentos que se praticam aqui e lá. Os enchidos, a fruta, a hortaliça, tudo com aspecto de fazer crescer água na boca e muito mais barato.

 

Decorria a Feira do Fumeiro e aí foi uma perdição, a comprar e a comer....chouriços dos mais variados, presuntos, toucinho daquele branco e caseiro que me fez recordar os tempo de infância, pernil, alheiras, nacos de entremeada fumada..enfim uma perdição para a carteira e para o estômago.

 

Sentada aqui, já me estou a imaginar amanhã a saborear uma daquelas fabulosas alheiras acompanhadas com feijão frade e couve, para contrariar o tradicional acompanhamento do ovo estrelado e batatas fritas.

 

 

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