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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Em pleno voo

Foto do meu blog Existe um Olhar

 

Gosto de voar, de descobrir novos horizontes, de explorar céus desconhecidos, de arriscar, de ousar, de não recear os imprevistos.

 

De vez em quando o mundo, o meu mundo torna-se demasiado pequeno e acanhado, impedindo-me de esticar as asas, de ensaiar novos voos.

 

Há aquela sensação de aprisionamento involuntário em que por mais que tente, nada me prende às origens.

 

A aventura paira sempre nos meus sonhos quando a noite chega.

 

Imagino o que não conheço e tenho a percepção que o desconhecido é o espaço onde posso planar livre e feliz.

 

Gosto de encetar os meus voos ao nascer do sol e pousar nalgum lugar que não foi marcado, quando o sol se esconde.

 

Quero olhar a lua que me fará companhia em noites sem estrelas e em silêncio adivinharemos o que é, o que está para além de e o que nos trará aquela paz indefinível de sabermos que mesmo sós, há sempre alguém lá longe para quem o nosso pensamento voa.

 

Voarei sem destino, não sei por quanto tempo, mas isso pouco importa. A brisa fresca das manhãs há-de envolver-me num banho de sensações impossíveis de experimentar enquanto estou sentada aqui.

 

Um dia destes voltarei.

A ginja do Montez

 

Foto Sentaqui

 

Haverá pouca gente que vá a Óbidos e não prove uma ginjinha. Não há mercearia, bar, ou restaurante que não a tenha para vender, agora também servida em copo de chocolate. Nem sempre foi assim, os obidenses nos anos cinquenta tinham por hábito fazê-la em casa para consumo próprio.

 

Este costume saiu fora de portas, devido a uma história de amor.

 

José Ferreira Duarte Montez veio de Santarém trabalhar para as minas de gesso em Óbidos e apaixonou-se por uma senhora de nome Corália que tinha uma casa de antiguidades. e para ficar mais perto da sua amada, montou um negócio idêntico e para agradar aos clientes, ao mesmo tempo que vendia as suas antiguidades de proveniência duvidosa, oferecia um cálice de ginja. A moda pegou e o Sr. Montez começou a aperceber-se que ia mais gente por causa da ginja do que para comprar velharias e resolveu começar a fazer uns petiscos.

 

Muitas pessoas iam ao Ibn Errik Rex (assim se chamava o bar) para ouvir as histórias do senhor e as patranhas que inventava para conseguir vender as velharias.

 

Ficaram famosas as espadas que enterrava no quintal, que depois de ferrugentos, vendia como sendo de D. Afonso Henriques e ainda a imagem de madeira de Nossa senhora de Fátima como sendo do século XVII, quando o milagre de Fátima data de início do século XX.

Mas a história mais famosa é talvez a de duas caveiras que encontrou quando cavava o quintal.

 

Um cliente olhou para as caveiras e perguntou a quem pertenciam e Montez disse que a maior era a de Napoleão Bonaparte. -E a pequena?- perguntou o cliente, e prontamente respondeu:- era de Napoleão em criança.

 

Era um homem interessado pelo mundo que o rodeava, chegou a ir à União Soviética e o seu bar era frequentado pelos oficiais que participaram no golpe de 16 de Março.

 

Hoje o bar lá continua, agora com a gerência da simpática família Tavares. É um local acolhedor, bem decorado e sentada aqui, lembro-me que a primeira piela que apanhei na vida foi lá num cantinho dos fundos quando pela primeira vez provei aquele delicioso néctar, sem me aperceber que afinal além de ser doce, tinha álcool.

Fiquei sem som na viatura

Foto Sentaqui

Se fosse uma pessoa pessimista, diria que já me estragaram o fim de semana.

Hoje quando cheguei à garagem o rádio do carro tinha voado, não é pelo valor do aparelho, porque tive o cuidado de comprar um baratinho, mas a sensação de terem violado uma coisa que me pertence, deixa-me sentada aqui a magicar no que posso fazer para apanhar os larápios,  já me passou tudo pela cabeça. Fazer queixa à polícia, nem vale a pena, porque casos destes são aos montes este seria apenas mais um.

Há dias a vareta do óleo também se foi, qualquer dia e por este andar fico sem pneus.

O mais estranho é que é só o meu, deve ter algum atrativo especial.

Agora resta-me o consolo de ouvir aqui uma musiquinha que gosto, para esquecer a mágoa...And let it go

Hoje ouvi esta...

.

Foto Sentaqui

"-Eu cá vou votar no Sócrates, afinal o homem já lá esteve tantos anos, sabe governar melhor que os outros que não têm experiência nenhuma!"

 

Só me apeteceu bater-lhe, mas não sou dada à violência e preferi ficar sentada aqui a reflectir sobre estas mentes brilhantes e pedir aos santinhos todos para que a parvalheira não seja contagiosa.

Dilemas de amor

Foto sentaqui

Dois anos de vida em comum, dois anos de felicidade, de companheirismo, com os mesmos objectivos, com iniciativas conjuntas, com um amor que saltava aos olhos de quem com eles privava.

 

Ela, moça do Norte, decidida, trabalhadora, bem disposta e empreendedora.

Ele, rapaz que já tinha passado por outras relações, umas mais duradouras que outras, uma filha... sentiu que ali estava o seu porto de abrigo, a força que lhe faltava, devotando-lhe um amor que era correspondido.

 

Um apartamento num sítio óptimo em que ele podia ir a pé até ao emprego, mas que de tão deteriorado que estava seria necessário deitar mãos à obra e fazer daquele espaço um ninho acolhedor. Não havia diferenças entre homem e mulher nos arranjos que empreenderam.

 

E viviam felizes!

 

Mas, e porque é que tem sempre que haver um "mas", num fim de semana ele conhece outra.  De imediato houve uma química, uma atracção, uma sintonia que nem um nem outro achavam ser possível acontecer. Mesmo para os mais desatentos os olhares dos dois não mentiam.

 

Assisti em silêncio, senti que começava ali uma história com um final imprevisto. Tudo passava a depender dele.

 

Telefonou-me dois dias depois a contar o que aconteceu, como se eu não tivesse percebido.

 

-O que é que eu faço?-perguntou

 

A vida ensinou-me a nunca dar conselhos ao coração e desta vez não abdiquei do que penso. Era a ele que competia fazer a escolha.

 

Sentada aqui, penso e repenso nas saídas possíveis e em todas elas prevejo algum sofrimento seja qual for a escolha.

 

Se ele desistir deste novo amor, ficará sempre com a dúvida se deveria ou não ter seguido o coração. Por outro lado, há as questões mais práticas que se colocam quando pensa que ao invés de ir a pé para o trabalho terá de fazer cerca de 100km, que será difícil suportar sozinho o custo de uma casa e pior que tudo ele continua a amar a mulher com quem tem vivido.

 

Vida complicada esta, será possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?

 

A Pêra...é Rocha

  

Foto do meu blog Existe um Olhar

Enquanto estava sentada aqui a ler o que foi escrito durante o fim de semana parei no que escreveu a Marta acerca do que consumimos quando vamos às compras, comparando-o com o que acontece nos supermercados alemães.

 

Está na altura de  prestarmos atenção ao que de bom se produz em Portugal. E se até há bem pouco tempo me limitava a pegar no carrinho de compras e passear pelas filas de prateleiras dos supermercados sem prestar grande atenção à proveniência do que punha no cesto, hoje a minha atitude passou a ser outra.

 

Pus de lado o comodismo e como a olho nu já não vou lá, habituei-me a ter os óculos à mão para ficar  certa de que, sempre que for possível, comprarei o que é português.

 

Longe vai o tempo em que a fruta bem apresentadinha e normalizada, os legumes de um verde apelativo, os queijos mais ou menos vistosos, as carnes embaladas a vácuo vindas lá da outra banda do planeta, ou as novidades fora da época me seduziam.

 

Para reforçar ainda mais este meu desejo de incentivar o consumo do que se produz aqui neste rectângulo, li algo que me deixou satisfeita num jornal da região sobre a nossa pêra rocha, uma qualidade única no mundo, resistente, só produzida na região oeste e cujos produtores têm vindo a exportar para os mais diversos pontos do mundo, sendo uma actividade que está a gerar lucros e em franca expansão.

 

Reconheço que Portugal, com o actual estado de coisas, não tem muito para onde se virar, e lembrando as palavras de Belmiro de Azevedo em que sugeria que deveríamos investir na agricultura,  pesca,  turismo e  floresta, por serem actividades que  exigem equipamentos de verbas pouco  avultadas, sendo bem mais barato comprar um trator do que maquinaria para uma determinada fábrica, que à partida não se sabe se terá retorno do investimento aplicado.

 

Se o que escrevi não for motivo para se mudar de atitude, pelo menos um dia provem, caso não conheçam, a nossa pêra rocha. Garanto que não recebo nenhuma comissão pela publicidade.

 

 

Desemprego e muita falta de vontade de trabalhar

 Foto Sentaqui

Quando um dia destes vi a reportagem dos senhores inspectores do RMI (rendimento mínimo garantido),que andavam de porta em porta a verificar a veracidade das declarações dos que recebem, achei que acordaram demasiado tarde ou foi notícia porque estamos em vésperas de eleições e convém dar um ar sério ao que, pelo menos que eu saiba, não foi preocupação dos governantes na altura devida. Esbanjaram-se milhões à toa, deu-se muito a quem não se devia dar e outros que precisavam ficaram de fora.

 

Eu também não acredito na justa distribuição e apoio do RMI, salvo raras excepções, sobretudo em autarquias pequenas que desenvolvem esforços conjuntos entre assistentes sociais e juntas de freguesia, fazendo um levantamento das necessidades, para que haja justiça na distribuição desses dinheiros.

 

É verdade que estamos em tempo de vacas magras, que há muitas fábricas a fechar deixando muita gente no desemprego, mas também é verdade que muita dessa gente prefere safar-se com uns tostões, ou com o subsídio de desemprego, do que agarrar num trabalho, mesmo que esteja abaixo da sua formação.

 

Há dias falava com uma amiga que me relatou as mil e uma aventuras que tem passado para conseguir alguém que trabalhe lá em casa, vão dois dias, depois desaparecem, ficam doentes quando estão de boa saúde, inventam pretextos para faltar e mais um sem número de factos que fazem supor que  não querem mesmo trabalhar. Solução para o problema...contratar uma estrangeira.

 

Numa outra altura deu uma reportagem na TV em que um agricultor precisava de mais de uma centena de pessoas para colher morangos. Dos 100 requisitados ao centro de emprego apareceram 12 e dos 12 nenhum ficou. Solução...contratam-se Moldavos.

 

O Verão está à porta e é ver os proprietários de restaurantes e bares de praia, aflitos, porque não há quem queira servir uns cafés, trabalhar Sábados e Domingos, nem pensar!

 

Já vi que o pessoal não quer fazer nenhum e seguem o meu exemplo, ficar sentada aqui, só que eu fiz tudo para receber o meu ordenado e muita dessa gente anda a viver à custa dos impostos de todos nós.

 

Está mal, muito mal!

Quando a blogosfera nos deixa com um enorme sorriso

Ao longo de meu percurso na blogosfera, que não é tão recente quanto isso, continua a surpreender-me e se há dias em que me apetece parar, aparece alguma coisa que me impede de o fazer.

 

Não é meu hábito falar sobre a minha vida pessoal, mas hoje fiquei tão espantada que não resisto.

 

Em 1999 apresentei à Câmara Municipal de Óbidos um projecto que consistia em fazer visitas guiadas com animação destinado às crianças do 1º ciclo de todo o país. A ideia foi acolhido pela autarquia com muita satisfação, já que era uma iniciativa inovadora e única em Portugal. Faziam-se visitas guiadas em espaços fechados, mas nunca ao ar livre.

 

Foi pedido o meu destacamento ao Ministério da Educação que foi de imediato concedido.

Durante 7 anos desenvolvi um trabalho que me deu as maiores alegrias em termos profissionais.

Quando fui obrigada a terminar, devido a decisões vindas do ministério, deixei uma equipa que deu continuidade ao projecto.

 

Na altura fiquei triste por não poder continuar e fiz questão de me desligar completamente de tudo. Viver do passado nunca foi uma postura que me seduzisse, acabou, acabou e pronto.

 

Qual não foi a minha surpresa quando recebo um comentário no meu blog Existe um Olhar vindo do Jornalito Virtual e como é natural vou sempre visitar quem me visita... fiquei sentada aqui, paralisada, comovida, quase de lágrima no olho a recordar através de imagens, todos os momentos vividos pelos alunos do 2º ano de uma escola de Tomar. 

 

Revivi de novo momentos que um dia me fizeram acreditar que vale a pena nunca desitir de um sonho. 

Estranho mundo este em que vivemos

À medida que os anos vão passando e me debato com a proliferação dos meus cabelos brancos, disfarçados com umas pintadelas de quando em vez, vou-me apercebendo que inconscientemente direccionei os meus interesses para outros objectivos, indiferente à passagem das estações, não que isso me sirva de consolo para admitir que os anos passam, mas sobretudo descobrir que o mundo anda mais depressa do que eu e que a imparável e por vezes espantosa sucessão de acontecimentos, me faz esquecer o natural declínio físico que tento compensar com alguma agilidade mental que me socorre em épocas de dúvidas, consternação, espanto, choque e incredibilidade. 

 

Estava no meio da serra da Arrábida, entre céu e mar, rodeada pela natureza que me deixa cada vez mais deslumbrada, quando soube  da detenção do nº 1 do FMI. Muito se tem falado e especulado sobre o assunto e seria de todo despropositada mais uma avaliação, crítica ou condenação.

 

Há assuntos que pela sua complexidade e delicadeza me deixam sentada aqui a relembrar que um dia me ensinaram, que o que distingue os homens dos animais é a racionalidade e inteligência dos primeiros.

 

E quando lá do alto da serra vi a beleza, harmonia, equilíbrio, só destabilizado pelo homem, com que a natureza se desenvolve e regenera a cada Primavera, hoje mais que nunca, tenho a certeza que afinal irracionais são os homens.

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