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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Amigos que partem e outros que chegam

Foto de Sentaqui

Nesta altura reina uma certa acalmia na blogosfera...pessoas que gozam de merecidas férias e de quem sinto a falta, porque já me habituei a esta rotina boa, em que sentada aqui, vou lendo, aprendendo e interagindo.

 

Tenho a sorte, se é que assim posso dizer, de poder sair sem ser nesta altura do ano, o que considero um privilégio, já que é difícil encontrar alguma paz nestes meses de Verão. Trânsito intenso, praias a abarrotar, preços que sobem, mau atendimento muitas vezes, são alguns dos factores que me fazem desistir de ir muito além da meia centena de quilómetros.

 

Compreendo que muita gente se pudesse optar faria o mesmo que eu, mas quando há crianças em idade escolar fica-se sujeito a estes meses, para usufruirem de algum descanso. Outros que não podem ir para destinos paradisíacos, têm que aproveitar os raios de sol do nosso cantinho, que este ano têm sido escassos em algumas zonas do país.

 

Para mim é hora de receber, de visitar e de rever amigos que há um ano não via. São gratificantes as tardes de conversa acompanhada de bons petiscos e bebidas fresquinhas. Cada um cozinha o que mais gosta e é comum ver nas noites de Verão um corrupio entre uma casa e outra, trocando sabores dos quais já me tinha esquecido.

 

Em alpendres debruados com trepadeiras, velas acesas aqui e ali espalhadas pelos cantos  relvados, música que toca baixinho, copos que tilintam em brindes sentidos, gargalhadas que quebram o tom da surdina das conversas, bocejos que surgem quando a hora já vai alta, são adereços simpáticos e reconfortantes que atenuam a saudade que sinto dos que partem e antevejo já a alegria que vou sentir quando regressarem.   

Avó coragem

Pequenina, franzina, mas detentora de uma força indomável.

 

Um dia, juntamente com o marido e dois filhos rumou ao Brasil, na época dizia-se que era um destino onde se podia viver melhor e amealhar mais uns tostões.

 

Pouco sei da vida dela enquanto esteve por lá, penso, pelo que ouvi, que não foi fácil. Lá nasceu uma filha.

 

Viu de um momento para o outro a tragédia bater-lhe à porta quando lhe mataram o marido.

 

Agarrou nos três filhos, a mais nova então com onze anos e regressou a Portugal.

 

Pensou que com a ajuda dos mais velhos podia refazer a vida...como se enganou! Barafustou e proibiu o mais velho de ir para um seminário, porque queria ser padre, até aos 18 anos ele obedeceu-lhe, mas logo que fez vinte e um saiu de casa e foi para um seminário, o mais novo segui-lhe as pisadas.

 

Sentiu-se desamparada , mas não baixou os braços..agarrou-se a uma máquina de costura e passou a ser conhecida pela melhor costureira de calças para homem, que eles usavam para o trabalho, um tecido a que chamavam cotim, talvez hoje equivalente à ganga. Ajudada pela filha que um dia casou, lá ia sobrevivendo e lutando para que nada faltasse.

 

Vieram os netos, quatro, que ela tratava com muita exigência e não se ensaiava quando era preciso dar algum estalo num deles.

Os netos por vezes temiam-na e escondiam dela muitas travessuras. Sabiam que a avó não era para brincadeiras, mas apesar de tudo tinham um carinho especial por ela.

Amiga de dar ordens , de comandar, de exigir, instituía regras e muita disciplina que por vezes chocavam com as dos pais, gerando algumas discussões sobre a forma de educar a criançada.

Os anos foram passando e um dia ficou acamada e aí permaneceu durante cinco longos anos até partir.  

 

Hoje sentada aqui, recordo-a com saudade e sorrio quando eu, miúda traquina e refilona, corria à frente dela para não levar com uma colher de pau ou que alguma das mãos dela voasse e aterrasse na minha cara. Mas guardo com especial ternura a paciência com que me ensinou a enfiar a linha numa agulha ou quando excepcionalmente me deixava cozer na velha máquina Singer com os óculos dela na ponta do nariz, um cenário ainda bem presente no meu dia a dia, já que também eu agora estou a costurar estas palavras e a imaginar o que ela não diria ou pensaria se lesse o que escrevi.

Talvez dissesse:

-Em vez de estares a escrever, pega numa agulha e vai cozer a bainha do vestido que tens ali descosido há que tempos.

-Sim vó, vou já!

Provocadora, sensual ou exibicionista?


 

Foto de Sentaqui

 

Gosto de observar, analisar, tirar conclusões que não garanto que sejam certas ou óbvias, pouco importa, já que não pretendo ser detentora de verdades ou presumir que tudo o que penso e sinto acrescente mais ao que já se sabe. Habituaram-me a pensar e habituei-me a fazê-lo, mas por vezes apetece-me parar, deixar correr...feliz ou infelizmente vejo-me enleada em teias de suposições, que baralham, que confundem, que perturbam, que pesam, cansam, desgastam, ou pelo contrário, alegram, confortam, animam, mesmo que ilusoriamente.

 

E durante estes dias em que ouvi e li sobre  a posição da Universidade Católica em relação à forma como se apresentam os alunos, veio-me à ideia os múltiplos cenários relacionados com a forma como se tapa ou destapa o elemento feminino.

 

Muitas de nós vestimos e apresentamo-nos de modo a sentirmo-nos bem, a estarmos bem connosco, sabendo de antemão que na maior parte das vezes, agradaremos aos outros e não haverá ninguém que fique indiferente a um olhar de apreço ou até a um elogio, isto digo eu...

 

Depois há quem use a roupinha para se insinuar, conquistar, seduzir, provocar e caçar o outro lado, sempre foi assim, há quem cace e quem é caçado, o predador e a presa, o que deliberadamente se deixa encantar...é um jogo praticado entre humanos e animais.

 

No meio do que pode ser considerado normal há as derivações, ou desvios previamente estudados com mais ou menos minúcia e engenho, usando uma sensualidade ora discreta, ora ousada e irreverente fazendo uso dos dotes físicos... forma de vestir, andar, dançar, olhar, transformando a conquista quase numa arte. Umas fazem-no com elegância e classe, outras abandalham com exageros inusitados.

 

A isto tudo junto o grupo das ou dos exibicionistas, os(as) que sentem prazer em se expor, que o fazem para suprir a baixa auto estima, falta de confiança, complexos ou mesmo traumas de infância. Fazem questão de escandalizar e quanto maior for o impacto das suas irreverências, maior também a sua alegria falseada e mascarada de alguma irrealidade que tomam como sendo verdades, provocando a ilusão que são os(as) maiores, mais felizes, mais confiantes, liberais e descomplexados, é como se fossem à caça desprezando e ignorando posteriormente a caçada.

 

Sentada aqui releio o que escrevi, interrogo-me porque o fiz, como me expus, exibi, insinuei... contudo, sem a sensualidade vedada a quem está por detrás de um monitor e conforta-me o facto de saber que neste jogo de palavras mal alinhavadas nem pretendo caçar nem ser caçada.

O abraço que não quero esquecer

 

 

Depois de ler Adopção, gritos mudos ou tudo o que tenha a ver com crianças que tiveram a sorte de encontrar uma família, não fico indiferente, sobretudo há uns anos a esta parte.

 

Desde que acompanhei de perto, mesmo estando longe a luta de um casal amigo, emigrantes na Suíça, tentando a todo o custo e durante dez anos, ter um filho, a minha  atenção para estes assuntos ficou mais apurada.

 

Dez anos de sofrimento e uns quantos mais de espera para conseguirem adoptar uma criança. Não o conseguiram em Portugal, mas quis o destino que encontrassem na Etiópia uma menina, hoje com três anos feitos há pouco.

 

Tenho assistido de perto ao desenvolvimento da M. Loreena e fico impressionada ao lembrar uma bebé frágil, transformar-se aos poucos numa criança cheia de vida, alegria, graça e felizmente muita saúde.

 

Ainda não passou um ano desde que estive na Suiça, onde pude durante uns tempos conviver com ela que cresce a olhos vistos rodeada de muito amor e carinho.

 

Como é hábito vêm a Portugal passar um mês de férias. Chegaram há dias e para meu espanto a bebé que mal balbuciava umas quantas palavras hoje fala na perfeição português e alemão, para isso talvez tenha contribuído um dia e meio por semana que passa na creche e o resto do tempo com os pais, sobretudo com a mãe que pôde deixar o emprego para acompanhar de perto o crescimento da sua filha.

 

Ao ver a felicidade destes pais penso em tantos outros que esperam, sem desistir, que chegue o dia em que terão uma criança para adoptar o que não é fácil, já que em Portugal há mais candidatos do que crianças disponíveis para adopção. Penso também em tantos meninos e meninas espalhados por esse mundo fora, vivendo em condições desumanas e que poucos, muito poucos, terão a sorte da M.

 

E não consigo esquecer aquele abraço meigo e carinhoso que recebi e que dei, porque há momentos que não devem ser esquecidos e sentada aqui escrevi, registei e recordarei para sempre, com alegria e comoção, a menina que ao ver-me abriu os braços, sorriu e pronunciou o meu nome, como se nos víssemos todos os dias.

 

Apetece-me recordar outra Loreena, a Mckennitt e ouvir " The visit" , ao mesmo tempo que sonho e desejo que  diminuam no mundo o número de crianças que passam fome, que não têm família e que não vivem, sobrevivem

Somos bons...vamos conseguir

Foto do meu Blog Existe um Olhar

É certo e está mais que provado, que criando expectativas positivas, acreditando nas nossas capacidades, confiando e sem nunca baixar os braços, conseguimos atingir os objectivos a que nos propomos.

 

Não sei se por coincidência ou não, tenho lido e ouvido muita gente a falar da valentia, da coragem e das conquistas dos portugueses e tive a impressão que o discurso miserabilista a que temos vindo a assistir,  pouco e pouco vai sendo substituído por outro mais esperançoso e mais motivante o que leva a concluir que vamos conseguir ultrapassar os momentos difíceis  e acreditar , que nem os discursos dos Obamas, nos vão deitar abaixo.

 

Neste momento pouca gente estará bem, mas não é com atitudes  e palavras de desânimo que vamos mudar seja o que for.

Depois há aqueles que se queixam, que se lastimam porque só olham para o seu umbigo e esquecem-se que ao lado há famílias sem trabalho, há outros que mesmo trabalhando não recebem, há os que  ficam sem casa, e que são atirados para uma situação degradante que os apanhou de surpresa.

Somos desenrascados, gente boa, que com engenho e arte vamos conseguir superar o que muitos julgam ser insuperável.

 

A nossa História está cheia de exemplos que convém recordar em momentos desânimo, e não é preciso recuar muito no tempo, basta pensarmos que vivemos 40 anos numa ditadura e que conseguimos sair dela.

 

Somos um povo pacífico, que até mesmo numa manifestação de protesto conseguimos fazê-lo e ao mesmo tempo aproveitar para fazer uma grande festa, mas que não nos menosprezem, quando é preciso estamos lá para lutar com discernimento e a lucidez necessária para ultrapassar todas as barreiras.

 

Obviamente será difícil arranjar argumentos convincentes para dar algum ânimo aos que vivem à beira do abismo, mas se todos interiorizarmos que temos força, coragem , determinação, optimismo e esperança, vamos sem nos apercebermos disso, transmitindo um sentimento de positivismo que transparecerá subtilmente à nossa volta.  

 

Sentada aqui posso provar que todos os dias há milagres...vamos vencer!

 

Bom fim de semana

Foto Sentaqui

Se por acaso alguém estiver farto de calor, dirija-se a Oeste, aqui temos céu cinzento, uma brisa refrescante de pôr os cabelos em pé a qualquer um, podem também usufruir de quando em vez de uns pinguinhos de chuva e contemplar o mar encrespado com uma nortada que dura e dura e dura.

Ah...se por acaso se atreverem, não se esqueçam de ir ao armário da roupa de Inverno e tirem de lá um casaco bem quentinho, umas calças confortáveis, umas sapatilhas e umas meiinhas de lã.

Eu estou sentada aqui a pensar se hei-de acender a lareira ou se me piro para as Caraíbas, exagero, eu sei, basta que atravesse a Ponte Vasco da Gama ou a 25 de Abril para mudar de país, pelo menos tenho essa ilusão.

Bom fim de semana!!!

Compre Português

Foto sentaqui

Há um ano atrás andava a caminho do Ikea para tentar redecorar uma casa. Na altura pareceu-me o sítio onde podia encontrar peças mais em conta.

Um ano depois, mais precisamente esta semana, voltei de novo com uns amigos que vieram do estrangeiro e precisavam de comprar meia dúzia de coisas.

 

Apanhei uma grande desilusão, não só os preços subiram, ou então sou eu que tenho menos dinheiro , como as novidades eram poucas ou nenhumas e nem a decoração mudou. Pareceu-me estar num grande armazém chinês mas de produtos caros. Se calhar os finlandeses não renovaram os stocks a pensar que aqui o zé povinho já não tem capacidade de compra, afinal somos lixo.

 

Ando a esforçar-me para comprar produtos portugueses, mas nem sempre é fácil; por exemplo numa casa de móveis aqui da cidade há coisas interessantes e em conta, mas quando vamos para comprar, dizem logo que não têm em stock e que talvez três semanas depois é que virá...como é possível progredir com semelhante estratégia?

 

Seja como for, resolvi , mal entro numa loja, colocar os óculos de ver ao perto para me certificar que o que compro é aqui do nosso canto, nem que ao lado esteja a mesma coisa uns cêntimos mais barato, mas estrangeiro.

 

Mas nem tudo são notícias tristes...há dias andava a veranear na baixa lisboeta, onde as montras já convidam, pela rebaixa de preços que apresentam, quando resolvi entrar numa sapataria.

 

Entre malas e sapatos espalhados pelas prateleiras viam-se papéis vermelhos e verdes onde se podia ler em letras gordas e pretas. COMPRE PORTUGUÊS. Eu até nem precisava de mais calçado, mas deu-me um prazer enorme comprar e enfiar os pezitos numas belas sandálias, nada caras, e ter a saborosa sensação de estar a usar algo made em Portugal.

 

E agora sentada aqui vaidosa qb., contemplo as ditas e penso cá para mim: que bom seria que todos os espaços comerciais assinalassem em letras garrafais---ISTO É PORTUGUÊS!

Quando a vida passa por nós e não damos por ela

Foto do meu blog Existe um Olhar

 

Há dias que passam por nós e não damos por eles.

Há dias que damos como certo tudo o que temos e somos.

Há dias em que as rotinas se instalam, que damos como seguros os afectos que nos ligam a quem amamos.

Há dias que são de alegria, de conquistas, de vitórias e outros de tristeza, de lágrimas e algum sofrimento, mas que continuam a ser ilusoriamente uma marcha contínua, bem compassada, segura e interminável.

 

E num desses dias, um qualquer  não importa, há um abalo, um sismo interior, uma pancada mais forte, uma explosão de sentimentos, de incertezas e aí tomamos consciência, do pouco que somos, da pequenez dos nossos actos e do quanto menosprezamos a vida, a nossa e a dos outros.

 

Quando se ouve um testemunho como este, aí paramos , pensamos e perguntamo-nos:

-Que faria eu para mudar, para fazer o que não foi feito, para transformar, para alterar hábitos dados como adquiridos e que me deixam na minha zona de conforto oferecendo-me a ilusória sensação que o que faço, como faço e a quem faço está certo e é um dado adquirido e inquestionável? 

 

Numa outra altura ter-me-ia ficado por aqui e não desvendaria fraquezas, temores e fragilidades, mas hoje e depois de ver o vídeo fiquei sentada aqui e sem pudores, despindo-me de preconceitos, abrindo essa caixinha que pulsa, não para sempre, mas até um dia, eu digo que:

 

Me arrependo de não dizer mais vezes "Amo-te", de sorrir só para quem me sorriu, de ajudar tantas vezes para retribuir outra ajuda, como se de um pagamento se tratasse, de falar só quando me falam, de aguentar situações desconfortáveis, de dizer "não" quando devia ter dito "sim", de continuar indefinidamente à espera de quem nunca virá, de acalentar esperanças de afectos que julgava merecer, de não ter coragem de dizer "basta".

 

E hoje um pouco de mim deixou de ser o que foi e passou a ser o que quero que seja, porque amanhã...será que haverá amanhã?

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