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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

E se cada um de nós pudesse ter uma ilha?

Durante cerca de hora e meia navegámos a grande velocidade no lago Titicaca até chegarmos às ilhas flutuantes, as ilhas dos Uros.

 

 

Encostámos o barco a uma delas e lá estavam eles enfileirados, prontos a dar-nos uma mãozinha para descermos.

 

Todas as ilhas à volta eram feitas de junco. Sentámo-nos num rolo e ouvimos atentamente a explicação de como constróiem as suas ilhas.

 

Cortam cubos de junco, espetam-lhes um pau ao meio, atam-nos todos com uma corda e depois estendem umas cordas que ficam submersas a um outro lado mais distante e seguro. Depois é só começar a cobrir com molhos de junco seco e amarelo.

 

 

 

 

A casa é comum para todos, ali dorme toda a família. Há que construir os barcos para caçarem patos que depois secam e lhes servem de alimento e também o muito peixe que por ali abundam.

 

 

 

 

 

As mulheres entretêm-se a fazer os tapetes coloridos e os espantas espíritos que são expostos numa vara e que são um atractivo para os turistas que não resistem a gastar alguns "sol" (moeda peruana).

 

 

 

 

Os turistas pagam a visita, não faço ideia de quanto é, porque foi incluída no pacote.

 

Não pagam impostos, já que o governo reconhece que não têm meios para o fazer e há a mais valia de divulgarem os costumes e tradições, que são tão bem preservadas neste país.

 

Tivemos direito a um passeio de barco feito de junco apenas empurrado por remos e que deslizava suavemente no lago.

 

 

 

Estou sentada aqui a pensar como seria bom as pessoas poderem ter a sua ilha, onde pudessem reunir os amigos, onde existisse paz, alegria e muita confraternização.

 

Uma ilha cheia de gente boa, sem governos, sem leis, sem guerras de poder, sem ambição por coisas fúteis, sem perigos para as crianças, sem armas, sem interesses monetários, nem cobiça pela felicidade do vizinho.

 

Eu quero a minha ilha, é em sonho, eu sei, mas que me deixem pelo menos de vez em quando refugiar nela e juntar todos os que amo e todos os meus amigos, penso que teria de ser uma ilha enorme.

 

 

Quando não podes vencê-los...

 

Não sou , nem nunca fui mulher de cruzar os braços, de me vitimizar, ou aceitar coisas que vão contra os meus princípios e maneira de ser.

 

E esta de me cortarem uma boa fatia do que ganho, fez com que pusesse mãos à obra e tentasse arranjar outras formas de repor o que me tiraram, ou pelo menos tentar.

 

Sempre fui adepta de medicinas complementares, sem nunca descurar a tradicional. Se poder fugir de um químico para tratar alguma maleita faço-o, desde que isso surta efeito.

 

Além de ser fã de tudo o que não implique tomar uma série de drogas que por vezes fazem bem a uma coisa e mal a outras, resolvi deitar mãos à obra e fazer formações que me permitam, caso se prove que tenho capacidades, ir mais além e fazer algo que gosto.

 

Há muitos anos que faço reflexologia com uma enfermeira escocesa, que há muito reside em Portugal. Reflexologia é disciplina obrigatória nos cursos de enfermagem  nalguns países. Sempre que lá ia sentia óptimos resultados.

 

Finalmente chegou a hora de ser eu a empenhar-me e a fazer um curso desses.

 

Para quem não sabe reflexologia é  uma técnica específica de pressão que actua em pontos reflexos precisos dos pés com base na premissa de que as áreas reflexas dos pés correspondem a todas as partes do corpo. Mais informações aqui

Os treinos já começaram e há uma quantidade de pés que me esperam e que servirão para treinar o que aprendi e depois de me sentir confiante e consciente de posso fazer um trabalho bem feito, farei o exame final.

 

Entretanto aqui em casa já há um quarto que ficou de pernas para o ar. A marquesa já foi comprada, a aparelhagem já lá toca para criar um ambiente bem relaxante e agora há pequenos detalhes que vou acrescentando para tornar os espaço mais acolhedor.

 

A intenção é ajudar, mas também ganhar algum dinheiro extra, porque isto de ficar sentada aqui a assistir ao saque a que a minha conta bancária foi alvo, não tem nada a ver comigo.

 

 

 

O reconhecimento que veio na hora certa-Fado, Património Imaterial da Humanidade

Fado é triste!

Fado são lágrimas e lamentos, são sentimentos vindos do mais profundo da alma e gritos melodiosos entoados com sentimento desmedido.

Fado é português, é povo, é a expressão máxima do sentir de uma nação.

E nunca como hoje ouvi-lo fez tanto sentido, é como se fosse o lamento, tristeza, a dor de um país que se vê retratado em cada acorde de uma guitarra que vibra e acompanha vozes que entoam de forma sublime o nosso sentir, as nossas emoções e a sina de ter nascido num país que hoje e cá dentro, tem a desdita de ver o fado como bandeira da decadência e desvalorização de um povo que canta de lágrimas nos olhos um fado que só nos anima quando sabemos que foi reconhecido lá fora como Património Imaterial da Humanidade.

 

Hoje o fado deixou de ser só nosso, passou a ser do mundo.

Parabéns Portugal!

Parabéns a todos os que lutaram para que este sonho se concretizasse!

 

E sentada aqui ouço emocionada " A Voz"  porque tudo isto existe tudo isto é triste, tudo isto é fado

 

 
 

 

Querias um cremezito de borla? Não tiveste sorte nenhuma.

Estava no aeroporto de Lima de regresso a Portugal e é sempre inevitável dar um saltinho ao free shop, umas vezes há coisas que vale a pena comprar outras nem por isso.

 

Como o meu creme de limpeza facial tinha acabado e por cá é bem mais caro, resolvi comprar um, tendo o cuidado para que não excedesse os 100ml, para o poder trazer na mochila.

 

Chego ao check-in e como é hábito, lá pus no tabuleiro toda a tralha que trazia...cinto, relógio, anéis e claro as botas também foram descalçadas.

Passei naquela coisa sem nada apitar o que é raro. Quando me dirigia para a passadeira onde já estavam todos os meus pertences, a senhora que estava de olho no monitor, manda-me abrir a mochila e tira lá de dentro o creme, embalado, selado e com a factura bem à vista.

 

Qual não é o meu espanto, quando ela me diz que se queria levar o creme tinha que voltar para trás e despachá-lo de outra forma, caso contrário tinha que ficar ali para ser destruído, desculpou-se dizendo que o Peru não era um país da UE por isso era proibido levar essas coisas.

 

Os meus olhos chisparam de raiva, sabia que ela não tinha razão, nem eu tinha tempo de ir despachar o creme. Podia ter refilado argumentado, armado um escarcéu, mas pensei que não valeria a pena. Então perguntei:

-Posso ser eu a destruí-lo?

-Claro que pode

-Onde?- perguntei

-Vá ali ao lado à casa de banho.

Calcei as botas e lá fui pior que uma barata. Despejei o creme inteirinho para o cesto dos papéis perante o olhar atónito das duas funcionárias que na altura faziam a limpeza.

 

Quando me preparava para voltar pelo mesmo caminho grita ela:

- Olhe, agora descalce as botas e meta-se de novo na fila.

Engoli em seco, descalcei-me e esperei pela minha vez para de novo passar descalça num sítio onde já tinha passado.

 

Será que ela pensou que eu tinha besuntado as botas com o creme? Claro que não, foi apenas uma vingançazinha, porque agora sentada aqui penso que o que ela queria mesmo era limpar a carinha na manhã seguinte com um cremezinho de boa marca. Não teve sorte nenhuma, nem ela nem eu.

 

 

Depois de um ano de governação há que prestar contas

Depois de navegarmos durante algum tempo no lago Titicaca aportámos junto de uma povoação que ficava lá bem no alto, cerca de meia hora sempre a subir.

 

Nesse dia havia na aldeia um acontecimento especial.

O homem que durante um ano esteve à frente dos destinos daquela população tinha de prestar contas pelo trabalho feito e dar lugar a outro.

 

No amplo adro, homens e mulheres iam chegando vestidos a rigor posicionando-se no lugar que lhes era devido.

 

 

 

 

Fiquei a saber que os homens solteiros tinham o barrete virado para trás e os casados tinham-no virado para o lado, para além de uma cinta bordada pela esposa. Já as mulheres solteiras distinguiam-se das casadas porque em vez de quatro berloques coloridos no xaile, só podiam usar um.

 

A cerimónia teve início com a distribuição feita pelo chefe , de folhas de coca a todos os presentes, inclusive aos turistas. Confesso que não me atrevi a mascar aquela coisa, talvez com medo dos efeitos que daí adviessem, não fosse eu ficar ainda mais maluquinha do que já sou.

 

 

 

 

O cerimonial decorreu tarde fora e não nos foi possível assistir ao desfecho, mas hoje sentada aqui, interrogo-me se não seria uma ideia a colocar em prática cá no nosso Portugal, com excepção da distribuição das folhas de coca, porque pelo que temos vindo a assistir, por vezes penso que os nossos governantes andam a tomar doses a mais.

 

 

 

 

Viajar nem sempre é sinónimo de descanso

Estar há tanto tempo sem ficar sentada aqui, provoca-me um torpor e uma sensação de incapacidade para exprimir a avalanche de informação que pulula dentro de mim. Sinto uma enorme contradição entre o querer partilhar e o guardar silenciosamente e num acto egoísta, todas as peripécias que aconteceram nestes dias em que estive ausente e foram tantas que tenho que fazer um esforço para não sair um texto tão grande como as montanhas que subi no Peru.

 

Deste país que visitei durante doze dias , apenas tinha duas referências, a primeira foi o sonho que sempre acalentei de visitar Machu Picchu e a segunda foi a curiosidade em conhecer a terra onde nasceu o recente Nobel da literatura Vargas Llosa.

 

Cedo me dei conta que o Peru era mais do que eu alguma vez imaginei.

 

Nunca em todas as viagens que fiz, andei tanto, subi tão alto e apanhei uma canseira tão grande que ainda hoje estou a recuperar. Claro que não é uma queixa este desabafo, é sim uma tomada de consciência do muito que aprendi , vi, senti e admirei.

 

Quem chega a Lima pode ter a falsa sensação que aterrou num país pobre, nada de mais errado. Não há arranha céus, as casa são baixas e a maior parte delas mal acabadas, os carros são velhos e só agora estão a chegar uns modelos japoneses mais actuais, em contrapartida não há lixo nas ruas e as pessoas são afáveis e simpáticas.

A actividade sísmica é tão frequente que seria um disparate fazer grandes construções, excepção apenas para a parte junto ao mar e banhada pelo Pacífico.

 

Os dias começavam bem cedo e a maior parte das vezes às 7 da manhã já estávamos prontos para apanhar um avião para visitarmos a cidade de Cuzco e visitar fortaleza de Ollantaytambo e que  me custou mais a subir que Machu Picchu.

Uma viagem de comboio que durou 10 horas, mas que valeu pelo luxo, ambiente , boa comida e animação que se fez sentir.

 

Fomos sempre acompanhados por guias locais que falavam um espanhol aportuguesado que se entendia perfeitamente.

Admirei no Cañon de Colca o voo dos condores, passeei no lago Titicaca e aportei para mais uma vez subir a uma aldeia e apreciar os usos e costumes das gentes locais. Parei no meio do lago para ver as ilhas flutuantes feitas apenas de junco.

 

Andei quilómetros na estrada que agora liga o Peru ao Brasil e fui admirando as enormes fendas geológicas provocadas por antigos vulcões ao longo da cadeia dos Andes onde atingimos a bonita altitude de 4910m e chegados ao hotel haviam máscaras de oxigénio para quem se sentisse nauseado, com dores de cabeça ou com falta de ar, felizmente não padeci de nenhum desses males. A visita às salinas de Maras foi um dos pontos altos da viagem assim como os terraços circulares de Moray que serviram para os Incas fazerem experiências agrícolas.

 

O Peru é um país rico em minérios e apesar da aridez aparente dos campos, é uma grande produtor de milho e há cerca de 350 qualidades de batatas. Os mercados são uma autêntica festa de cor tal a variedade de fruta e legumes.

 

O turismo e as tradições ancestrais são cuidadosamente conservadas e foi com espanto que assisti a todo o processo de confecção de mantas e tapetes coloridos feitos apenas com produtos naturais onde o pêlo das lamas e alpacas são usados para esse fim.

 

Podia continuar por tempo indeterminado a contar as mil e uma histórias e conhecimentos que assimilei, mas talvez continue noutra altura. agora resta-me recuperar dos meus joelhos que aterraram logo nos primeiros degraus de Machu Picchu e que agora mais parecem umas joelheiras postiças.

 

Entretanto vou colocando no meu blog Existe um Olhar algumas fotos do muito que vi.

São gestos apenas

Enquanto não se soltam as palavras que teimam em não sair depois da ausência, ficam os gestos, o som, a música, a mensagem, a partilha e os votos de um bom fim de semana para todos.

 

Vou ficar sentada aqui mais um pouco, ganhando força e procurando encontrar palavras que descrevam tudo o que vi e senti nestes dias em que o olhar, as lembranças e a emoção teimam em sobrepor-se a todas as letras.

 

 
 

 

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