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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Em jeito de desafabo

 

 

O optimismo, a gargalhada fácil, o sorriso permanente que se vai notando nas rugas dos meus olhos, a disponibilidade para ouvir, a alegria que sinto na contemplação das coisas simples, o estar presente, são, penso eu, características que me definem em relação às minhas amizades.

 

Nos últimos tempos tenho-me escondido dentro de mim e pensado, se não ando a construir uma carapaça que não deixa transparecer as minhas fragilidades, que têm sido a razão do meu desalento e culpa da minha postura que se recusa a mostrar que também eu sou fraca, também choro e também me emociono. Alguém sabe? alguém nota?, alguém pergunta? Não. Eu não deixo.

 

Vem daí a queixa silenciosa pela ausência de palavras daqueles a quem eu chamo de amigos.

 

E é, sabe-se lá porquê, em conversa com alguém desconhecido, que surge o desafabo e a resposta certa na hora certa. Pois entendi, ninguém adivinha, e se há amigos que emudeceram, não foi por deixarem de o ser, simplesmente houve a fase do conhecimento e se calhar nada mais há para partilhar, para outros a quem eu faço crer que tudo está bem por que razão se hão-de preocupar? Ela, a Maria, está sempre bem.

 

Resta-me ficar sentada aqui junto de mim e começar a acreditar que há sempre amigos improváveis, tal como aconteceu no filme que fui ver.  

 
 
 

 

Sugestões para o fim de semana

Para quem vive a Norte no Domingo os Sétima Legião vão estar na Casa da Música no Porto a comemorar 30 anos de carreira.

Ai se eu pudesse não resistia, mas como me é impossível fico sentada aqui a ouvir uma música deles que gosto.

 

 

Mais ao centro e óptimo para quem tem filhos pequenos, ou gosta de apreciar um dos locais mais bonitos do nosso país, amanhã das 15 às 19 h, vai estar nos jardins da quinta de Regaleira a peça infantil Alice no País das Maravilhas.

 

Para quem gosta de arte está patente em Lisboa na Galeria de Artes António Prates, na R: Alexandre Herculano uma exposição de arte urbana, com entrada livre.

 

Bom fim de semana para todos!

 

 

 

Doce liberdade!

 

 

Não, não estou a falar do dia 25 de Abril de 2012, hoje para mim, esse, tem um sabor amargo, alteraram-lhe a fisionomia, as intenções, o ideal, a conquista e o objectivo maior a que se destinou, falo hoje sentada aqui num 25 de Abril saudavelmente doce, em que participei num workshop onde aprendi a fazer alguns doces sem ovos e sem açúcar, doces esses que são comidos e confeccionados por vegetarianos e facílimos de fazer.

Do cardápio consistiam as seguintes guloseimas.

 

Biscoitos de aveia

Biscoitos Vegan

Bolo sem ovos, sem açúcar e com pedacinhos de maçã

Bolo de alfarroba e natas

Bolo de bolacha

Tarte de maçã e canela

Bolachas de batata -doce

Aletria

 

Todos são deliciosos e os meus preferidos são o bolo de bolacha, a tarte de maçã e o bolo sem ovos , sem açúcar e pedacinhos de maçã.

 

Deixo a receita do último, porque foi para mim o que mais me seduziu em termos de confecção

Amassam-se todos os ingredientes...200g de farinha integral, 4 colheres de sopa de azeite,4 colheres de fermento em pó, 1 iougurte de soja, 150g de passas cortam-se uma ou duas maçãs em cubinhos, junta-se tudo, amassa-se muito bem e vai ao forno a temperatura média.

Todos os bolos são feitos em formas de silicone que não necessitam de ser barradas com qualquer tipo de gordura.

O resultado final foi este:

 

 
 
 
 
 

Porto é o melhor destino europeu do ano

 

De entre vinte cidades europeias o Porto foi eleito o melhor destino europeu do ano, seguida por Viena na Áustria e Dubrovnic na Croácia. Lisboa ficou em 8º lugar, mas em 2010 ficou em 1º.

 

Fiquei deveras contente com esta nomeação dada pelos pelos internautas do site European Best Destination.

 

O Porto sempre teve um significado especial para mim, porque foi lá que passei uma parte do meu tempo de estudante, um tempo de jovem inconsciente, alegre e cheia de sonhos.

 

Hoje recordo Cedofeita, a R. dos Bragas ao lado da faculdade de engenharia, (onde ensaiava duas vezes por semana num grupo coral),

Sta. Catarina, Passos Manuel, a Boavista, os Clérigos, o Palácio de Cristal e tantos outros sítios por onde me perdia em alegres gargalhadas com as colegas a caminho da escola.

 

Recordo as tardes passadas a estudar nos cafés, já que nessa altura era permitido... bom estudar, não será a palavra mais adequada, talvez conversar sobre temas, que ao invés de serem banais, versavam sempre temas de interesse consoante as matérias  que mais nos interessavam, claro que a concentração não era grande e muitas vezes nos perdíamos em salutares devaneios.

 

Quando a hora do lanche se aproximava, lá vinha o chazinho com um delicioso jesuíta ou uma arrufada em que não se poupava no coco, nunca em lado nenhum encontrei destes bolos tão saborosos como por ali.

Recordo as gentes, hospitaleiras, simpáticas, francas e sem papas na língua, os pomares (frutarias) onde as frutas e legumes reluziam de uma maneira especial, as livrarias que nos ofereciam livros sempre que tinham em excesso e desde que provássemos qual o destino (tempos fartos).

 

Tive oportunidade de visitar a sumptuosa e cara Viena e a velha e animada Dubrovnic, mas nada comparáveis  à facilidade de mobilidade, acolhimento e agradável confusão a que nos habituamos no Porto.

 

Faz tempo que lá não vou e a última vez que lá fui, vi-a ao longe da outra margem do Douro onde as águas deslizam coloridas pelos barcos e onde as pontes ligam dois destinos que se aproximam, dando a todos a oportunidade de  sentirem a união de gentes que as margens nunca podem separar.

 

Sinto saudades e muitas e hoje sentada aqui, anseio pelo regresso para poder reviver tempos idos e conhecer outras alterações que entretanto foram acontecendo.

 

 

Não há nada mais poderoso que o amor

 
 

A noite passada estive durante o serão a ver o filme "Uma Mente Brilhante" com a fabulosa interpretação de Russel Crowe.

 

Sinopse:

 "Uma mente Brilhante", baseia-se na biografia de John Nash escrita por Sylvia Nasar, e começa com a chegada do jovem Nash à Universidade de Princenton, em 1947. Isolado de todos e tudo, Nash recusa-se a participar nas actividades básicas da Universidade, tais como assistir às aulas, conviver com os colegas, etc. O seu objectivo é a procura de uma "Ideia original".

Incentivado pelo colega Charles a procurar a sua ideia original" fora das quatro paredes do seu quarto, Nash inspira-se em fontes estranhas, como o movimento dos pombos no parque, os movimentos de uma equipa de futebol e até do roubo de uma carteira. Nenhum destes três estudos o ajuda. Será numa conversa de bar que Nash encontra inspiração para a sua "Ideia Original", uma teoria revolucionária com aplicação à economia moderna e que contradizia 150 anos do reinado de Adam Smith na área.

O reconhecimento pelo seu trabalho acontece em 1953, após ter Nash realizado alguns trabalhos no Pentágono a decifrar códigos russos. Ao mesmo tempo, Nash é Professor. Conhece uma aluna, Alicia, com a qual viria a casar e ter um filho. Tudo parecia correr bem com o casal, até que Nash começa a ser perseguido por desconhecidos. Nash não resiste à grande pressão e começa a ficar paranóico.

O resto do filme segue uma trajectória repleta de desafios, onde Nash luta, não só contra a esquizofrenia, mas também contra todos aqueles que não acreditavam na sua recuperação. O filme termina o reconhecimento pelo qual Nash tanto ansiava: o Prémio Nobel de Economia em 1994, pelo seu contributo na Teoria dos Jogos.

 

Quando se pensava que não havia solução para o problema, depois de todos os internamentos e medicação, houve uma cena que me comoveu particularmente.

Sua mulher Alícia, que tudo suportou e que o apoiou nos momentos mais dramáticos, a certa altura pega na mão dele coloca-a em cima do coração dela e faz o mesmo com a mão dela em cima do dele e diz-lhe mais ou menos isto:- Meu querido, nem tudo tem uma razão explicável pela mente, por vezes a solução está aqui...no coração! Abraçam-se os dois comovidos e partir daquele momento foi o grande amor que os unia, o principal motivo para a cura.

Sentada aqui recordo o discurso dele quando recebeu o Nobel que se centrou num agradecimento sentido e comovente à sua mulher e acredito que nada nas nossas vidas, por mais dificil que seja tem o poder de transformar e curar como a força de um grande amor.

 

 

 

 

 

 

Os elefantes na Tanzânia

 

Há cerca de três anos participei num safari na Tanzânia.

Distribuídos em cinco jipes com tecto aberto e com guias como chauffeurs que comunicavam entre si através de rádio quando um deles  avistava os animais que povoavam a savana, lá íamos observando os encantos do reino animal.

 

Desde vermos meia dúzia de leões a tentar caçar um javali, até às hienas que devoravam cadáveres de hipopótamos, milhões de gnus, gazelas, girafas, aves de todos os géneros, macacos,... etc, também em diversos pontos nos cruzámos ora com um elefante isolado ora em manada.

 

Curiosamente foi pelo elefante que senti maior respeito e algum medo até, porque numa ocasião, um parou diante do nosso jipe e dali não arredava pé. Uma das instruções para lidar com estes animais era o silêncio absoluto e nessa ocasião nem me atrevi a tirar uma foto, com medo que o click da máquina causasse alguma fúria ao bicho. Lá resolveu a seguir o caminho dele e nós o nosso.

 

Por diversas vezes nos cruzámos com manadas deles, mas mantínhamos sempre uma certa distância, porque nos foi dito que se um se enfurecesse podia virar o jipe de pernas para o ar. Apesar de tudo, foram os animais que mais admiração me inspiraram pela sua imponência, pelo andar bamboleante com que iam caminhando, comendo aqui e ali os troncos mais viçosos das árvores e ainda resguardando sempre a suas crias pequeninas.

 

O tão falado caso da caça ao elefante pelo rei de Espanha, trouxe-me à memória uma das viagens mais fantásticas que fiz e sentada aqui a recordar o que vivi e a rever as fotos, não entendo como é possível alguém que deveria usar do bom senso que a idade lhe deveria trazer, se entretem a caçar elefantes, esquecendo-se dos princípios mais básicos da protecção da natureza e do bom exemplo que deveria dar como monarca

 

 

Brasil acabou, agora a história é outra

 

Anda a passar-se algo de anormal que está a deixar-me com os cabelos em pé e até preocupada desde que regressei do Brasil.

 

Todas as manhãs mal acordo, faço um esforço danado para regressar à minha humilde casinha...acordo sempre na praia, com  calor, a suar em bica, ou a comer um belo do pequeno almoço, a beber uma água de coco, ou dentro do carro a conversar para mais uma viagem e estou mais de cinco minutos até cair na real e começar devagar, muito devagar para o meu gosto, a sentir o meu pijama, ao invés de uma camisinha fresca de algodão, e o peso do edredão, enquanto o vento sopra lá fora, situação desconfortável que exige de mim um esforço adicional que me deixa zonza e sem saber se estou no Equador ou no Oeste fresquinho do meu Portugal. Um dia ou dois ainda se compreendia, agora já lá vão uns quinze dias e a história é sempre a mesma.

 

Mas esta noite penso que a coisa vai mudar depois de um telefonema de um tal Joaquim.

-Então não te lembras de mim?

-Não- respondi constrangida.

-Como é possível esqueceres o homem que mais te amou?

Continuei às escuras e sem saber o que dizer enquanto ele desfiava um rosário de baboseiras

Lá arranjei coragem e perguntei-lhe como se chamava.

-Então não te lembras de nos encontrarmos com uma amiga tua aí na tua cidade há uns anos atrás?

 

Nada, nem uma única lembrança dessa bendita alma que pelo que apurei me tinha encontrado há mais de meia dúzia de anos e que me amava profundamente, desde então.

Como viu que daqui não saia nada desculpou-se que estava a ficar sem rede e que por volta das 23 horas me voltava a telefonar.

 

Fiquei sentada aqui à espera do bendito telefonema e já preparadinha para lhe fazer umas quantas perguntas para desmasrcarar o fala barato, mas nada.

 

Penso que esta noite a minha mente já vai ficar alinhada noutro registo e amanhã vou acordar a pensar no homem que tantos anos me amou sem eu saber. Ele há cada coisa!

 

 

Nem tudo o que parece é

 

Como já falei aqui fui numa excursão visitar o Rio de Janeiro, Paraty e Petrópolis

Connosco ia o melhor guia que já alguma vez conheci, o Sr. Edson.

 

A sua competência era inquestionável e com uma memória que eu chamaria de elefante, para além de um conhecimento espantoso de todos os lugares por onde passávamos.

 

Responsável, assertivo, de palavra fácil e de um sentido de humor excepcional, adaptando-se a todos os feitios , mesmo àqueles mais difíceis que contornava com uma piada que desarmava mesmo os mais azedos.

 

Chegámos ao Rio com chuva, mesmo assim percorremos a cidade de autocarro e não havia canto que ele não conhecesse.

 

Em Paraty também fomos brindados com chuva e com se não bastasse um apagão  fez-nos caminhar noite escura até ao autocarro , metendo os pés em enormes poças de água, já que as ruas eram toscamente empedradas, mas nada que umas boas gargalhadas não atenuassem o desconforto sentido.

 

Para quebrar os momentos mais monótonos, o Edson lá nos ia contando autênticas anedotas de acontecimentos pelos quais passou durante 30 anos de trabalho. Uma delas passou-se com uma senhora de idade que viajava com a neta. A dada altura a neta chamou-o porque a avó se sentiu mal e estava a vomitar na casa de banho. De imediato foi ver o que se passava. Qual não é o espanto quando a idosa senhora lhe diz:

-Por favor, importa-se de tirar a minha dentadura que caiu no vaso(sanita)

-Eu? nem pense!

E aconteceu o que ele estava à espera e de olhar incrédulo vê a senhora tirar o dita, lavá-la e colocá-la na boca.

Como estas contou muitas e eu podia ficar aqui a contar umas quantas mais.

 

Já para o final da viagem e como ia nos lugares da frente a conversa teve um cariz mais pessoal. Fiquei a saber que tinha um filho, que vivia sozinho e que mal chegasse ia fazer exames médicos porque há dois meses tinha tido câncer no intestino, tiraram-lhe parte dele , mas só comunicou à família depois da operação, pior ainda foi saber que no ano anterior lhe tinham extraído parte do fígado. E falava daquilo com a maior naturalidade, como ter câncer fosse a coisa mais normal do mundo.

 

Não se deteve em pormenores e a boa disposição continuou dizendo que já tinha uma agenda muito preenchida e muito trabalho pela frente.

 

Ainda hoje penso sentada aqui como é possível uma pessoa encarar com tamanha naturalidade uma doença que a todos assusta e que todos desejamos que não nos bata à porta, nem a nós nem aos nossos amigos e conhecidos.

 

Da próxima vez que estiver pronta a queixar-me de uma enxaqueca qualquer prometo que vou ficar bem caladinha. 

 

 

 

E porque hoje é sexta feira...deixo sugestões mais quentes.

Costumo dizer que estou numa idade que posso dizer tudo o que me apetece e que isso não me importa, claro com o devido respeito por todos, mas já há muito que certos temas deixaram de ser tabu nas conversas que tenho com amigos e amigas mais chegados.

 

E hoje sentada aqui deixei-me de vergonhas e inibições para falar de sexo, é isso mesmo sexo.

 

Não vou dar lições a ninguém , porque haverá por aí muita gente que sabe e pratica muito mais que eu, mas há certos detalhes que convém sempre realçar e relembrar para que não deixemos que as nossas relações caiam na rotina.

 

Escrevo sobretudo para os apologistas da monogamia, para os que querem preservar um casamento ou uma união, para os outros já é um assunto que me ultrapassa e embora não condene nada nem ninguém, porque cada um faz com o corpinho aquilo que quer, não me imagino a falar de ménages, swings e outras coisas do género.

 

Não escondo de ninguém o que leio e o que a minha experiência me diz sobre certas práticas que só podem revitalizar a vida a dois.

E quando falo sobre o assunto os destinatários são ambos os sexos, porque desenganem-se os homens que pensam que são só as mulheres que devem surpreender, a eles também é devida uma quota parte na arte de seduzir. O importante mesmo é que o casal tenha mentes abertas e que não haja tabus entre eles, estando os dois de acordo, vale tudo.

 

Quem disse que amor só se faz na cama? Errado. Há um sofá, uma mesa, uma casa de banho, o hall de entrada, enfim todos os sítios até onde a imaginação os possa levar.

 

Pêlos pode haver muita gente que não alinhe em depilação completa, mas convenhamos que não é nada agradável andar a cuspir pêlo, por isso uma aparadela nos sítios de penugem mais frondosa , não faz mal nenhum e aumenta consideravelmente o prazer.

 

Mulheres... lingerie bonita e sexy é o que não falta por aí e já a preços acessíveis, que tal aparecerem diante do vosso parceiro de meias de rede, cinto ligas, cuequinha fio dental, top transparente, saltos altos e de bico bem fino e até de luvas que poderão tirar em movimentos sexys, para já não falar de outros acessórios...haja imaginação.

 

Homens...deixem essas ceroulas, boxeurs largueironas e optem por uma cuequinha mini e coleante.

 

Nada de despir a parceira em modo "speed", afinal ela teve tanto trabalhino a vestir-se para vocês!

 

Massagens com óleos próprios sabem sempre bem e sobretudo nada de pressas.

 

Eu sei que muitos perguntarão..e os filhos? Com um pouco de boa vontade há sempre uma tia, uma avó ou alguém amigo que fica com eles, se não tiverem ninguém, pois podem contar comigo, há sempre lugar, disponibilidade e muita imaginação para entreter as crianças.

 

Podia estender-me um pouco mais, mas o bom senso diz-me para a parar.

 

Lá fora a chuva cai, amem-se muito, sejam felizes e surpreendam-se.

 

Bom fim de semana!

 

 

 

Grades não...obrigada!

Foto  de sentaqui

Desde miúda que me habituei a andar solta, de correr, pular, saltar, entrar por uma porta sair por outra em correrias desenfreadas com os meus irmãos. Só nos trancávamos quando sentíamos ao longe a carroça dos ciganos porque nos diziam que eles roubavam crianças enfim, parvoíces!

 

Mal entro em casa abro portas e janelas se o tempo o permitir e sentir-me enclausurada não tem nada a ver comigo, posso estar sozinha , mas que isso não me impeça de sair à rua sempre que me apetece e até são frequentes as minhas caminhadas ao cair da tarde aqui pelas redondezas, para já não falar dos montes e vales que percorro de máquina fotográfica às costas. Como dizia o outro o medo é coisa que não me assiste.

 

Agora, chegar ao Brasil e ver todo o casario com grades até ao tecto, prédios com porteiro de grade em frente e que só abria desde que devidamente identificada, foi uma coisa que me tirou do sério.

 

Como não estava habituada a estes cuidados, era frequente chamarem-me a atenção...feche a porta..deu duas voltas à chave?

Sair rua abaixo sozinha fosse a que horas fosse estava fora de questão, não fosse algum malandro tomar conta de mim.

 

Curiosamente nunca tive medo e pensava cá para os meus botões que eram todos uns exagerados, mas quando os ouvia relatar histórias de assaltos a casas, roubos em plena rua, aí já lhes dava algum crédito, não muito, porque durante o tempo que lá estive nunca me senti ameaçada.

 

E hoje sentada aqui penso na simpatia daqueles jovens que fazem tudo para sobreviver, que junto aos semáforos, aproveitavam quando os carros paravam para tentar vender alguma coisa ou simplesmente pedir uma moeda. Quando recusávamos, não havia má cara e até agradeciam.

 

É hábito toda a gente andar com alguns reais à mão para dar a alguns deles e um dia fiquei extremamente comovida quando um miudo que não devia ter mais de 12 anos pede uma moeda a quem me conduzia e ela respondeu:- Desculpa meu filho, mas agora não tenho aqui nenhuma, ao que ele respondeu:- não faz mal senhora e obrigada por não ter fechado o vidro. Olhámo-nos comovidas e ficámos em silêncio alguns minutos, como eu desejei naquele momento ter à mão meia dúzia de reais!

 

Penso que os verdadeiros ladrões tanto cá como lá, não estão na rua, os que realmente nos assaltam todos os dias são os que se deixam corromper, que justiça social é palavra que não usam no seu vocabulário nem nas suas práticas e são todos aqueles que lançam medidas discriminatórias, abusivas, ofensivas e que vão contra os direitos de todos os cidadãos, passando por cima dos valores e ideais que deveriam pautar a nossas vivências diárias sem que houvesse descriminação de credos, raças ou cultura.

 

 

 

 

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