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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Porque hoje é o dia do escritor

Foto de Sentaqui

Hoje, sentada aqui deixo um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, podia deixar de tantos outros escritores que admiro, mas esta foi a forma que encontrei  de homenagear tantos e bons escritores que povoam as nossas horas de recolhimento com as letras.

Já dizia Fernando Pessoa:

 

"Escrever é esquecer.

A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida!"

 

PORQUE

 

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

                      Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

 



Noite de cinema- O Império do Sol

Já há alguma tempo que tinha visto o filme Império do Sol e já pouco me me lembrava do enredo. Esta noite tive oportunidade de vê-lo de novo.

 

Um excelente filme dirigido por Steven Spielberg que para o rodar passou algum tempo em negociações com o governo chinês para o poder fazer.

 

A história transporta-nos até à segunda guerra mundial com o conflito que nos relata a invasão da China pelo Japão.

 

Brilhantes interpretações, cenas comoventes sobretudo a de a de Jim Bale o primeiro filme em que se estreou.

 

Sinopse:

O filme relata a história de um garoto inglês de onze anos de idade, que vive na cidade chinesa de Xangai com a sua família na aparente segurança do bairro diplomático. Com a invasão da China pelo Japão, em plena Segunda Guerra Mundial, no meio da confusão da multidão em fuga ele separa-se dos pais e acaba por ir parar a um campo de concentraçãojaponês onde, para sobreviver, se vê obrigado a desenvolver uma série de artimanhas que vão das transacções num improvisado mercado negro de alimentos e objectos pessoais à mediação de conflitos com os soldados japoneses.

Ao lado do campo de prisioneiros ocidentais existe uma pista de onde descolam "zeros" para as missões suicidas. Quando os aliados bombardeiam o aeródromo militar os guardas do campo vingam-se nos prisioneiros partindo os vidros das camaratas. Quando os japoneses se preparam para atacar os doentes da enfermaria o médico interpõe-se arriscando a própria vida que é salva pela intervenção do miúdo. A derrota do Japão aproxima-se, o campo é evacuado e os prisioneiros levados para Norte onde se pensa existirem alimentos. No caminho a mulher que protegeu o rapaz morre no momento em que se avista o clarão das explosões de Hiroshima e Nagasaki. No final o rapaz é encontrado pelos pais num orfanato para crianças ocidentais

 

Distinções:

Óscar:

  • Melhor Fotografia: 1988
  • Melhor Figurino: 1988
  • Melhor Edição: 1988
  • Melhor Trilha Sonora: 1988
  • Melhor Som: 1988

Globo de Ouro

  • Melhor Filme - Drama: 1988
  • Melhor Trilha Sonora: 1988

Bafta

  • Melhor Filme - Drama: 1988
  • Melhor Trilha Sonora: 1988

Depois de ver o filme fiquei ainda durante algum tempo sentada aqui a reflectir até onde pode chegar a capacidade de suportar tanto sofrimento e lembrei-me que ainda hoje em pleno século XXI há milhões de crianças a padecer da crueldade e injustiça do ser humano.

 

 

Já não percebo nada..há crise ou não há crise?

Foto Sentaqui (caricaturas em Sintra)

Nos últimos tempos tenho duvidado da famosa, proclamada e mais que anunciada crise que eu pensei que existisse, mas, agora começo a duvidar.

 

Que me perdoem os idosos de reformas miseráveis, mas dos outros, aqueles a quem se pede um trabalho e espera-se, espera-se, telefona-se e nada, desses não tenho pena.

 

Estão a elaborar-me um programa informático, que sei que já está em andamento, mas que só avança alguns milímetros, quando já não aguento mais e telefono; parece que tem de ser arrancado a ferros e atendendo que a pessoa em questão está desempregada, já duvido se o dinheiro lhe faltará.

 

Pedi um orçamento para um cartaz, coisas simples,  de imediato me disseram que no dia a seguir me telefonavam a dizer quanto custaria e nada.

 

Há que tempos que o congelador do meu frigorífico morreu e apesar das súplicas que tenho feito ao especialista da coisa e das promessas de vinda imediata, ainda não deu sinais de vida.

 

O atendimento em certos sectores também deixa muito a desejar, até parece que nos dias que correm as pessoas ainda pensam que têm o emprego garantido para o resto da vida e não posso deixar de lembrar o caso anedótico da senhora que vai à estação da CP, perguntar o horário do comboio e de lá lhe respondem para ir consultar a net, como se a Srª Joaquina lá dos confins da aldeia mais remota tivesse acesso a essa coisa, ou ainda da informação que pedi hoje nas finanças me tivesse sido dada da forma mais seca possível e também me tivessem remetido sem mais demoras para a dita cuja.

 

Ora agora já percebi que a internet é que está a dar e se queres safar-te agarra-te ao teclado se o tiveres, e poupa trabalhinho ao pessoal, porque pelo que parece anda tudo mortinho de trabalho.

 

Agora sentada aqui estou mesmo com sérias dúvidas se a crise está instalada ou se sou eu que estou exigente, refilona e inconformada.

 

Haja paciência!

 

 

 

 

 

Gosto de malta fixe

Foto de Sentaqui

 

Ontem esteve um dos melhores dias de praia aqui no Oeste e claro passei lá grande parte do dia.

 

Deixei que amigos e a maior parte das pessoas que por ali andavam se fossem e eu fiquei à espera do pôr do sol, que tal como previ se apresentou lindíssimo, só que tirar fotos sem pára-sol na máquina é certo e sabido que não sai nada de jeito e foi o que sucedeu, já é o terceiro que perco e aqui na cidadezinha não há um único sítio onde possa comprar o quarto; quando o comprar já prometi atá-lo com um fio à máquina.

 

Estava eu empoleirada numa das arribas e um pouco mais abaixo quatro jovens preparavam-se para partir, olharam para mim e com rasgados sorrisos um deles perguntou:

-Olhe, não se importa de nos tirar umas fotos?

-Claro que não, faço-o com gosto, já que é raro alguém gostar que lhe tirem fotografias.

-Ah, nós gostamos, tire à vontade.

 

E com a maior descontracção, poses, sorrisos e sem vaidades acrescidas, abraçaram-se e lá fui disparando.

 

-Tem facebook?

-Tenho.

-Então adicione-nos eu sou o ...

-Não adicionem-me vocês.

Anotaram o meu nome e à noite lá tinha na minha página os pedidos de amizade.

Aventuraram-se no final a dizer que eram amigos duma senhora que por sinal é uma grande amiga minha.

 

Fiquei ainda durante algum tempo a vê-los partir , segurando as toalha, as pranchas, os sacos, entre gargalhadas e muito boa disposição.

Hoje sentada aqui, penso no quanto gosto desta juventude sem pretensões, educados, alegres e descontraídos, encarando a vida como se não houvesse amanhã. Gosto desta malta fixe, gosto mesmo.

 

 

A minha praia não é candidata às sete maravilhas, mas para mim é a melhor de todas

Foto de Sentaqui

 

Nunca fui fã destas votações a sete maravilhas seja do que for. Já anteriormente achei sem jeito nenhum a candidatura às 7 maravilhas gastronómicas, já que Portugal tem uma variedade  tão grande de coisas boas para nos deliciarmos, que é de todo inusitado, estar a realçar umas e a colocar de lado outras, o mesmo acontece com as praias.

 

Estive a ver a lista das candidatas e não constituiu surpresa constatar que a grande maioria está a sul do Tejo, até se compreende porque as águas são quentes e há quase sempre garantia de calor e não levar com nortadas como acontece a maior parte das vezes a Oeste.

Sei que não é só a temperatura que conta, há a limpeza, a vigilância, a qualidade da água, os acessos, os apoios de praia, a animação, e para os surfistas as boas ondas. A Norte também há praias com todos estes requisitos, mas a certeza de que há águas quentinhas e calor já é um factor para que não sejam candidatas? Se for, nada de mais errado a meu ver, isto porque julgo que uma boa praia é aquela que me proporciona alguma tranquilidade, sem ter que levar com as conversas dos vizinhos do lado, os gritos das mães que estendidas ao sol ralham alto e bom som com as suas crias, a toalha que se cola à minha, para já não falar das enormes filas de trânsito para conseguir lá chegar.

 

Eu tenho a que chamo egoisticamente " a minha praia". Fica a oeste, é pouco conhecida, tem um areal imenso com cantos e recantos por onde me posso estender, nunca junto às arribas que correm o risco de desabar devido à erosão. Há uma reentrância pequenina que me abriga de ventos, as pessoas que a frequentam há anos são sobejamente conhecidas e quase já somos uma família que se revê verão após verão e onde se colocam em dia as novidades do ano que passou. Ao fim da tarde há o melhor pôr do sol do mundo e todos sabemos que quando avistamos as Berlengas com nitidez temos chuva pela certa no dia  seguinte.

 

Apesar do isolamento há nadador salvador e um bar que nos vai matando a sede e a fome com petiscos ligeiros. As águas são puras e límpidas apesar do mar nem sempre ser calmo, mas ideal para os surfistas que deslizam quais golfinhos logo que o mar o permite. Quanto à temperatura, pois eu raramente me atrevo a mergulhar, mas isso sou eu que sou friorenta, mas o chapinhar praia fora e o cheiro a maresia, suprimem a falta de uma boa banhoca.

 

Recordo com saudade as caravanas de australianos que ali passavam grande parte do Verão para surfar e o primeiro fato e prancha que comprei para o meu descendente foi a um deles.

 

Estou contente porque a minha praia não é nem será candidata às sete maravilhas, o que me garante à partida, paz, sossego e uma sensação de que quando vou para lá fico fora do mundo e sentada aqui já estou em pulgas para me levantar e dar um salto até à minha oitava maravilha, porque contrariamente ao que é costume está um dia radioso de sol e sem vento.

 

O nome da praia? Bom... isso fica no segredo dos deuses.

 

 

 

Gentileza gera gentileza

Estive há pouco tempo no Brasil e uma das coisas que mais me fascinou naquele povo, foi a simpatia, alegria, gentileza, os sorrisos, a disponibilidade que se sente a todos os níveis, mesmos as pessoas que andavam a tentar vender os seus artigos junto aos semáforos e se não comprávamos nada, vinha sempre um muito obrigada e tenha um bom dia.

 

Optimismo natural, seja rico ou pobre é apanágio daquelas pessoas. Será do calor?

 

Entretanto chegou até mim um vídeo que retrata bem o comportamento exemplar de um polícia brasileiro.

Apreciem...

 

 

Sentada aqui e olhando as diversas situações, não tenho dúvidas que por cá em vez da prevenção se apostaria na multa e na má cara como se isso fosse uma forma de se fazerem respeitar.

Venha daí um calorzinho, pode ser que animem e se possam transformar rostos carrancudos e arrogantes em simpatia generalizada.

 

 

 

O tempo da minha recessão económica voluntária

Foto de sentaqui
 

Já lá vão muitos anos em que tirei o meu curso, (não na Lusófona) e em que para chegar ao topo da minha carreira andei durante catorze meses a caminhar para Lisboa aos fins de semana. Procurei  cumprir e exercer o trabalho que escolhi com o máximo de empenho e dedicação. Felizmente escolhi o que gostava e não o que dava mais dinheiro ou mais regalias. Entretanto por força das circunstâncias acumulei outro trabalho, este não remunerado, mas que me obrigou a estar 25 anos sem férias, a trabalhar em certas alturas 18 ou 19 horas diárias, em que não tinha tempo para viajar, nem mesmo para gastar dinheiro, nem sequer para gozar de pequenos prazeres que são próprios da vida.

Fi-lo de livre vontade e consciente que tudo o que estava a amealhar pudesse um dia garantir ao meu descendente algum conforto em anos vindouros.

 

Passados estes 25 anos de degredo e julgando eu que podia finalmente respirar de alívio e gozar o que não me tinha sido permitido, eis que sou surpreendida pela recessão, esta involuntária e imposta por uns senhores que há muitos anos nos andaram a desgovernar e que eu distraída com tanto trabalho nem dei por isso. Contudo ainda pude fazer algumas viagens com que sempre sonhei, mas agora acabou-se, já que os subsídios que serviam para custear esses pequenos luxos me foram cortados.

 

Como não sou mulher de cruzar os braços e sou obediente, resolvi seguir o conselho do nosso primeiro que apela ao empreendedorismo e valendo-me de algum engenho e arte já tirei dois mini cursos que se tudo der certo, vão permitir repor o que me roubaram.

 

Agora sentada aqui tenho uma dúvida, será que vou declarar o que vou ganhar? hummm...parece-me bem que não, afinal trabalhei tanto para quê? Valeu a pena? Compensa num país de gatunos ser cumpridora?

 

 

Presidente do Uruguai, o mais pobre do mundo

 

 

 

Como prometido antes da eleição, o presidente do Uruguai José Pepe Mujica ainda mora em sua pequena fazenda em Rincon del Cerro, nos arredores de Montevidéu. A moradia não poderia deixar de ser modesta, já que o dirigente acaba de ser apontado como o presidente mais pobre do mundo.

 

Não pude deixar de comparar a vida e os luxos dos nossos governantes e também a dos europeus, com a simplicidade e altruísmo deste homem.

E para que não se fique com a ideia de que é um país pobrezinho deixo algumas informações sobre como se vive no Uruguai.

 

Uruguai um país seguro, sem a presença dos graves males que afligem outros países tais como terrorismo, sequestros ou instabilidade política e social.

Uruguai juridicamente simples e confiável. Respeita-se o princípio da propriedade privada e conta com excelentes Cadastros da Propriedade.

Uruguai natureza única,possui zonas completamente virgens, praias únicas, além dos 500 km da orla costeira sobre o Rio da Prata e o Oceano Atlântico. Quatro estações bem marcadas, mas sem temperaturas extremas. Não sofre desastres naturais, terramotos, tsunamis, etc.

Alta qualidade de vida, o Uruguai possui uma população de origem fundamentalmente europeia, a população de origem africana e indígena representa 1% do total. Possui um índice de alfabetização superior a 95%, bem como o maior número de graduados e estudantes universitários do continente e o mais alto nível de comunicações da América do Sul.

Uruguai, mão de obra qualificadaa custo relativamente baixo. Segundo as Nações Unidas, o Uruguai apresenta o melhor ÍNDICE de DESENVOLVIMENTO HUMANO da América do Sul, índice que toma em conta a renda per capita, a esperança de vida (72 anos: a maior da América Latina) e a educação (índice de alfabetização mais alta do Mercosul)

Uruguai, um país onde tudo fica perto. Uma viação estendida que liga todos os pontos do país, quatro estradas que comunicam com o Brasil e três pontes internacionais de passagem para a Argentina fazem do Uruguai um país onde tudo fica perto.

Uruguai natural, situa-se entre dos países com menor poluição do mundo, facultado pelos benefícios promulgados no Protocolo de Kyoto.

 

Por cá temos um país cada vez mais inseguro, onde a justiça não funciona, onde os que mais roubam são perdoados e escapam da prisão, onde a qualidade de vida se está a degradar a passos largos, onde se finge com medidas obsoletas que a educação é um sucesso, onde o custo de vida está insuportável, onde se dificulta o direito à assistência na saúde e nos cuidados fundamentais dos cidadãos, em que se continuam a cometer atrocidades a nível ambiental, onde se pagam fortunas para viajar nas nossas auto-estradas e onde as mordomias do nosso governo continuam em alta, como se desconhecessem o país real.

 

Sentada aqui estou a imaginar o nosso primeiro a andar de carocha, o Pr a viver em Boliqueime na sua casita de praia e os deputados  e  ministros a irem de metro para o trabalho, isto sou eu a sonhar, mas nunca se sabe se estes senhores um dia resolvem mudar de vida e seguir o exemplo de Mujico.

 

Para enaltecer ainda mais a postura deste presidente deixo o vídeo do discurso que proferiu na cimeira  Rio+21 em que soube falar do Homem e  não somente de números e capital.

 
 

 

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