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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Nada como ser frontal..."deite que eu vou lhe usar"

 

Há muito que não me lembro de ver telenovelas, mas há uns tempos andava eu à procura de um programa de jeito e parei na " Gabriela"  e o certo é que desde então, não há dia nenhum que não veja.

 

Lembro-me vagamente da primeira edição e das palavras de Gabriela "- Sapato não, Sr. Nacib" de resto tudo se esfumou no tempo.

 

Hoje é um regalo ver o bom desempenho de actores extraordinários e de me rir sozinha com certas passagens hilariantes , ou então de me revoltar e de meio incrédula pensar cá para os meus botões...será que isto era assim mesmo? sobretudo quando vejo actos de violência, injustiça e crueldade. Depois caio em mim e penso que pouco ou nada mudou desde então, hoje, usam-se  estratégias mais refinadas, termos mais subtis para se violar, violentar, roubar, trair e abusar, mas a porcaria é a mesma.

 

Das mais chocantes cenas é sem dúvida quando o coronel Justino diz:-" Deite que eu vou lhe usar". Ali não há mas nem meio mas, é aquilo e pronto, a menina abre a perna e coronel usa como se se tratasse de um objecto que não tem direito a dizer ai nem ui.

 

Hoje não há quem diga tão cruel expressão, mas sentada aqui, penso cá para mim, que haverá por aí muita gentinha que usa, que viola e abusa de muitas mulheres e homens que sofrem em silêncio com toda a crueldade que um acto deste género suscita, sem ser preciso dizer "deite que eu vou lhe usar".

 

Já nem sei o que é mais condenável, se a frontalidade do coronel Justino, se o silêncio dos que o fazem pela calada, deixando rastos de dor e sofrimento que dificilmente são superáveis por parte de quem deles é alvo.

 

 

 

 

 

A minha relação com o dentista

 

Não, não tenho nenhuma relação de ordem emocional, com o homem que me trata da dentadura, apesar de ser um pedaço de mau caminho, não consigo ver nele nada mais a não ser apenas e só o personagem que de vez em quando me arranca milhares de euros da minha carteira e só isso me desencoraja a olhar para ele com outros olhos... para o charme , o sentido de humor, a elegância de que é dotado.

 

A história do meu instrumento de trituração vem de há muitos anos atrás.

 

O meu rebento tirou-me a maior parte das reservas de cálcio de que dispunha e em vez de me ressentir numa outra parte qualquer do corpo, foi logo para os meus dentinhos, impedindo-me de sorrir com aquele à vontade e naturalidade que me é peculiar.

 

Como era muito nova, não me estava a imaginar a chegar à noite e  colocar a dentadura dentro de um copo de água antes de dormir.

Resolvi procurar então algo mais avançado para a época e optei por porcelana, coisa fina, mas para não gastar uma fortuna aceitei os préstimos e boa vontade de um odontologista amigo que se ofereceu para me fazer o trabalhinho por um preço que apesar de achar exorbitante, era menor do que era praticado por outros na altura.

E lá ia eu para Lisboa, só que fui eleita à partida a pior cliente que alguma vez se sentou na cadeira. Sempre que me espetava a agulha da anestesia, aqui a Maria caía logo para o lado desmaiada. Entre estalos, copos de água e aflições lá conseguimos colocar as ricas porcelanas pagas a preço de ouro.

 

Passaram alguns anos e comecei a reparar que a coisa não estava com bom aspecto e a conselho de amigas resolvi consultar o melhor que havia cá na cidade, sendo logo avisada de que era o melhor, mas o mais caro.

 

O caso estava tão feio que mal me viu e começou a tratar, me mandou acender uma velinha à senhora de Fátima, mas o mérito maior foi nunca mais ter desmaiado porque me deu a anestesia adequada.

 

Ao longo dos anos tem sido sempre o homem a quem recorro, apesar do aperto do estômago que sinto quando lá tenho que ir, não pelas dores, porque não as há, nem pelas horas infinitas de boca aberta, mas sim pela nota preta que tenho que lá deixar.

 

Hoje as porcelanas foram à vida e já cá cantam uns implantes e o último foi colocado há dias pela módica quantia de 1250 euros. Além do mau estar que causa esta prática em que durante oito dias ando zonza e indisposta, fico sentada aqui a pensar se em vez de uns dentinhos perfeitos, não seria melhor ir de dentadura para um destino paradisíaco, estilo Havai, mas o que lá vai são os euros e fica apenas o sonho.

 

 

 

 

- Sr.ª Merkel , a crise em Portugal está a correr muito bem

Cara Chanceler

 

É impossível ficar indiferente à sua digressão, mesmo que não me tenha despertado o mínimo interresse a sua visita, não há como ignorá-la, já que mal abro a Tv, jornais ou net, não se tem falado ou escrito sobre outra coisa.

 

Já passou pela Grécia e já percebeu que o acolhimento que o povo lhe  fez não foi dos melhores, outra coisa não seria de esperar, apesar da senhora dizer que não tem nada a ver com os acordos celebrados com a Troika.

 

Sinceramente ainda não percebi o objectivo destas suas passeatas, mas se calhar sou eu que devo ser um pouco lerda.

 

Sabe que por cá está tudo a correr como o previsto: aumento de impostos, desemprego, cortes salariais, fome, diminuição das despesas do cidadão comum, insolvência de milhares de empresas, etc, etc...que mais se pode desejar?

 

Ouvi dizer que consigo trazia um grupo de empresários, com o objectivo de conhecerem a realidade portuguesa e do bom desempenho dos compromissos assumidos, permitindo desta forma incentivar o investimento neste nosso cantinho, desculpe mas duvido,  cheira mais a uma campanha eleitoral da sua parte, já que a sua continuação à frente dos destinos da Alemanha parece tremida, mas olhe que nós não temos nada a ver com isso, imagino  o quanto a sua visita contribuiu ainda mais para aumentar os nossos magros rendimentos, senão repare:

- Em terra, no mar e no ar, tudo se fez para que a senhora chegasse e partisse em segurança; quanto não terá custado ao país toda esta acção?

Cortaram-se ruas, viajou em carro blindado, imagino o repasto que não teve, juntamente com todo o seu séquito e com os nossos queridos governantes que asseguram que a crise está a correr muito bem e que estão a fazer um bom trabalho....uma gota de água - dirá, mas olhe que já são muitas as gotas e o nosso barco está a meter água por todo o lado, mais um empurrãozito e isto afunda-se de vez.

 

Enquanto estava sentada aqui lembrei-me de lhe fazer um pedido:- Será que quando já não se conseguir sobreviver no país que hoje tão bem a acolheu, eu e muitos como eu, poderão emigrar para o seu país, garantindo-nos uma vida digna? Ou isso só acontecerá para um ou dois dos nossos desgovernantes a exemplo do anterior que  vive à grande e à francesa em Paris?

 

Auf wierderseen Frau Merkl e vá pensando no pedido que lhe fiz.

 

 

 

Será que ninguém espera por ele?

 

Ando sem vontade para escrever, desmotivada, cansada, enfim, fases pelas quais toda a gente passa, julgo eu, mas hoje não pude ficar indiferente ao post do que li no blog "O QUE É O JANTAR" , me fez acordar e não me deixou indiferente, fiquei comovida e até de lágrima ao canto do olho.

 

A carta do menino que quer uma família não pode ficar esquecida e apesar do meu blog ser pouco lido, isso não constitui impedimento para ser mais uma chamada de atenção, quem sabe se por aqui, ou por outras pessoas que queiram divulgar, não se encontre uma família que queira devolver a esperança a esta criança.

 

Aos que por aqui passam, eu hoje faço um pedido, acho que nunca o fiz, mas neste caso atrevo-me: Divulguem, divulguem, divulguem...

 

Eu fico sentada aqui com a fé que me caracteriza a torcer para que esta criança encontre a família que merece.

 

 

Dardos com doçura e dardos de amargura

 

 

Habituada que estou ao normal decorrer dos meus dias, às rotinas, à acomodação e ainda a um certo marasmo que por aqui se abateu em relação à escrita e ao facto de não ficar sentada aqui com a frequência que desejava, de repente surge tudo em catadupa e um turbilhão de acontecimentos, notícias e emoções envolve sem eu esperar esta minha vida mais ou menos pacata.

 

Começo pelas coisas que me deixaram com um brilho nos olhos e de coração cheio, duas delas foram dois dardos oferecidos pelas minhas amigas Golimix e pela Joana, há muito que não recebia uma prendinha assim e fiquei mesmo sem jeito, mas que soube bem ser alvo de tamanha gentileza, lá isso soube, por isso amigas fico-vos grata, são gestos simples assim, que me fazem sentir que vale a pena andar na blogosfera, quando tantas e tantas vezes me apetece desistir.

 

Outro dardo que me deixou boquiaberta foi receber um aviso das finanças dizendo que tinha três cheques para receber datados de 2008 e que se não os reclamasse deixava de ter direito a eles. Claro que com a actual conjuntura pulei da cadeira e fiz um requerimento para que me seja devolvido um dinheiro que eu nem sonhava pertencer-me, pelo menos vai dar para encher o buraco que tive de fazer à conta de um implante dentário, que além de me deixar prostrada durante uns dias, me reduziu consideravelmente o meu pecúlio.

 

Mas nem tudo são rosas e há dardos que nos trespassam e nos fazem sangrar o coração, um deles foi saber que uma das minhas melhores amigas ficou sem um seio. Não consigo imaginar a dor por que passou, tanto mais que só me disse depois do facto consumado. Acontecimentos destes fazem-nos repensar a vida e nosso modo de vida, já que tantas vezes andamos tão assoberbados com trabalho que não há tempo para parar e vem o raio de uma doença destas e aí já se pára forçosamente, com amargura e sofrimento.

 

E há outros dardos que doiem, mas esses vêm do fundo da alma e tenho que me socorrer das palavras de Miguel Sousa Tavares que li aqui para exprimir o que não consigo:

 

" e de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos julgando ser dono das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada, apenas julguei que tudo podia ser meu para sempre."

 

 

 

 

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