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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Eu quero calor!

Foto de sentaqui

Depois de andar há uns dias a tirar roupa mais fresquinha e a arrumar casacos, botas e gabardinas, sou surpreendida com um dia chuvoso daqueles que deixam mesmo os mais pacientes com os cabelos em pé. Mesmo assim, teimosa como sou, não me atrevi a calçar botas e meias e andei de pé ao léu, consegui andar assim uma parte do dia, mas a certa altura tive de regressar a casa, calçar as pantufas e não fiz nem metade do que tinha previsto.

 

Depois há ainda aquelas aves agoirentas que fazem previsões de que este ano não vai haver verão, felizmente há meteorologistas com bom senso e sentada aqui ouvi este senhor dizer que é impossível prever com tanta antecedência o tempo que vamos ter em Julho ou Agosto, fiquei mais descansada, não é que goste de temperaturas tórridas, nem sou daquelas que me estendo na praia de papo para o ar a torrar, agora que ninguém me tire os vestidos finos, leves e esvoaçantes, as sandálias e curtir debaixo de um chapéu e numa bela esplanada virada para o mar uma cervejinha ou um geladinho.

 

E seguindo as previsões, dizem que vamos ter um fim de semana mais quentinho e como Portugal é um país especial e abençoado em que só nos atinge a falta de moeda, eu quero acreditar que vamos ter um tempo normal, sim porque podemos andar depenados, agora branquelas e sem um raiozinho de sol que nos aqueça o corpinho e alma, aí é que fica tudo estragado.

 

 

Mia Couto, vencedor do prémio Camões 2013

Foto de sentaqui

Apesar de se ter destacado em contos ,romance e história, são os poemas de Mia Couto que mais admiro, são dele, mas sinto-os meus. Vibro com cada palavra, emociono-me.

Hoje recebeu o prémio Camões e  em jeito de homenagem deixo um poema dele que gosto muito.

Sentada aqui revejo-me em cada palavra.

 

COMPANHEIROS

quero

 escrever-me de homens

quero calçar-me de terra

quero ser a estrada marinha

 que prossegue depois do último caminho

e quando ficar sem mim

 não terei escrito senão por vós irmãos

 de um sonho por vós que não sereis derrotados

deixo a paciência dos rios a idade dos livros
mas não lego mapa nem bússola

 porque andei sempre sobre meus pés

 e doeu-me às vezes viver

hei-de inventar um verso que vos faça justiça
por ora basta-me o arco-íris
em que vos sonho

 basta-te saber que morreis demasiado

 por viverdes de menos

mas que permaneceis sem preço
companheiros.

 

Mia Couto

 

 

Como o álcool a mais transforma as pessoas

Come-se, bebe-se, conversa-se, ri-se, comentam-se as últimas novidades tudo regado com um bom tinto. Está tudo lúcido e não há vestígios de alterações de humor e a risota continua saudável, com gente educada.

 

Muda-se o cenário, há a boa música dos anos 80, começa a dançar-se, pedem-se as primeiras bebidas...rum, gin, uísque, caipirinhas...  a coisa começa a ficar com contornos bem diferentes, mais efusivos, mais expansivos, atrevidos, olhares e conversas mais ousadas, sensibilidade à flor da pele, uma ou outra discussão por causa de uma palavra mal interpretada.

 

Aparentemente ninguém está alcoolizado, ninguém tropeça, nem cai, isto para quem está na mesma onda. Para quem não alinha em bebidas alcoólicas e mantém a lucidez inicial a visão é outra e sentada aqui, conclui que as pessoas, se revelam verdadeiramente quando o grau começa a subir e aí vem à tona o verdadeiro "eu" que estava escondido e francamente...como fico desiludida!  

 

 

Quando se põe em causa o que é realmente importante na vida

Ando numa de poupança e isso inclui dar volta aos roupeiros e tentar alterar roupas que já têm uns anos e transformá-las em peças que ainda possa usar.

Há aquelas calças que são largas e basta apertar um pouco, o vestido que já fica demasiado justo que depois de cortado vira camiseiro ou um top, ou outro demasiado comprido e basta subir a bainha e por aí fora...

 

Para estes pequenos arranjos recorro sempre à D. Isabel, uma senhora já de idade, que em tempos foi uma grande costureira e agora entretém-se a fazer pequenas coisas e por um preço bem baratinho. Vive numa casa isolada numa aldeia, portão verde e toda murada. Quando abre a porta, recebe-me sempre com um bonito sorriso, vêm os dois gatinhos, o cãozinho ainda novo que não pára um minuto. Há um jardim colorido com todas as espécies de flores da época dispostas em vasos e canteirinhos.

 

Nas traseiras há o galinheiro, a coelheira e um grande quintal onde o seu marido semeia de tudo um pouco e árvores de fruto também não faltam.

 

Gorducha, de saia aos quadrados, óculos na ponta do nariz e um barrete na cabeça, leva-me para uma pequena sala de costura atolada de papéis, roupa e a velha máquina de costura. Marcam-se bainhas, ouvem-se sugestões e dois ou três dias depois está tudo impecavelmente pronto. Aproveito sempre para tirar umas fotos e despedimo-nos com um sorriso.

 

No regresso comecei a pensar na paz que reinava naquela casa. Será que a D. Isabel se preocupa em vestir roupas bonitas? Será que usa cremes na cara e no corpo? Terá telemóvel e uma televisão com muitos canais? Irá ao cabeleireiro tão frequentemente como eu vou? Irá a festas sem ser as religiosas lá da aldeia? Estará preocupada com a crise? Fará dieta? Preocupa-se com o seu aspecto exterior?

 

Depois destas reflexões e hoje sentada aqui, senti uma certa inveja da D. Isabel, da paz que respira, da tranquilidade daquele olhar, da sua paciência, das flores, do campo, dos animais, da fruta que vai crescendo nas árvores, do cacarejar das galinhas, pequenas grandes coisas que fazem com que as minhas preocupações sejam supérfluas e a minha ansiedade em ter isto ou aquilo, em ir aqui ou ali, sejam banalidades que na verdade poderia muito bem dispensar. Por momentos senti uma vontade enorme de fugir do meu mundo.

 

 

XVIII gala dos Globos de Ouro, uma festa cheia de glamour


Este ano estive até ao fim a ver a gala dos Globos de Ouro e fiquei agradavelmente surpreendida pela apresentação do espectáculo que não ficou nada atrás do que se vê em eventos semelhantes lá fora.

 

Homens e mulheres desfilaram na passadeira vermelha com fatos lindíssimos e há que dar os parabéns aos costureiros que vestem as vedetas em que o bom gosto imperou, salvo raros excepções, mas gostos são gostos e os meus podem ser duvidosos.

 

Não vou aqui dizer se concordei com todos os vencedores, mas sentada aqui tenho de reconhecer que em todas as áreas, Portugal é um país cheio de talentos e que no meio de tanta crise não desistem e ainda vão sobrevivendo dando o melhor de si.

 

E os vencedores foram:


CINEMA Melhor Atriz Dalila Carmo (por “Florbela”)

Melhor Ator Nuno Lopes (em “As Linhas de Wellington”)

Melhor Filme Tabu (de Miguel Gomes)

DESPORTO Melhor Desportista Feminino Dulce Félix

 

Melhor Desportista Masculino Eduardo Silva/Fernando Pimenta

Melhor Treinador José Mourinho

TEATRO Melhor atriz Maria Rueff (em “Lar, Doce Lar”)

Melhor ator Henrique Feit (em “Broadway Baby”)

Melhor Peça/Espetáculo 3D dos Abaixo do Joelho (encenação de Tiago Rodrigues)

Prémio Revelação 2012 Victoria Guerra

MODA Melhor Modelo Feminino Sharam Diniz

Melhor Modelo Masculino Gonçalo Teixeira

Melhor Estilista Nuno Baltazar

MÚSICA Melhor Grupo Expensive Soul

Melhor Intérprete Individual Carminho

Melhor Música Desfado (de Ana Moura)

Prémio de Mérito e Excelência Professor Mário Moniz Pereira que deixo aqui a seu percurso de vida

 

 

Nunca mais vejo um jogo de futebol importante

Foto da Net

Não sou deste ou daquele clube de futebol, gosto de ver um bom jogo e sei reconhecer, mesmo sem entender muito, se os jogadores estão a fazer um jogo inteligente e com uma boa estratégia, ou se simplesmente andam a correr desorientados atrás de uma bola.

 

Ainda sou das que acredita que para se se ser um bom jogador não basta saber dar uns pontapés na bola, a inteligência e o espírito de equipa são essenciais para um bom resultado e por melhor que seja o treinador , não há nenhum que consiga gerir a burrice.

 

Quando há jogos decisivos para Portugal, recuso-me a ver, porque, parva que sou, acho que dou azar à coisa, mas ontem não resisti e fiquei coladinha à Tv. Resultado, perdemos...perdemos e não merecíamos que isso acontecesse, os benfiquistas brilharam, dominaram o jogo  na maior parte do tempo e tudo fazia prever que iriam para prolongamento, quando no último minuto tudo se desmoronou.

 

Não faço ideia do sofrimento daqueles homens que deram o seu melhor, mas calculo que por muito tempo não conseguirão digerir uma derrota tão injusta.

Eu sei que num jogo tudo é possível há sempre vencidos e vencedores, é a lei da vida, mas para mim que nem sou benfiquista, ou de outro clube qualquer, hoje ainda me dói essa derrota.

 

E sentada aqui, prometo que nunca mais vejo nenhum jogo em que a Portugal seja exigido um bom resultado...enfim, cada doida tem sua mania.

 

 

Marisco com cascas não, por favor!

Quem não gosta de saborear uma boa cataplana ou um bom arroz de marisco? Eu sou fã, não só de comer , mas também de os cozinhar, há apenas um pequeno senão , que para mim faz toda a diferença. Qualquer destes dois petiscos tem que ser servido sem casca, quer dos bivalves , quer dos crustáceos, caso contrário perde-se o gosto pelo repasto, pela trabalheira que dá; por exemplo, estar a meter uma amêijoa na boca cheiinha de arroz, na esperança que no fim ela venha recheada o que muitas vezes não acontece, porque entretanto já se perdeu no meio da arrozada. E o esforço que exige, estar de garfo e faca a tentar depenar um camarão? Depois e se resolvemos que esta degustação se faça num restaurante , há ainda uma parafernália de instrumentos que nos colocam à frente , mais parecendo que se está numa oficina, para já não falar no medo que sinto, se por acaso, estou a tentar partir a pata de uma sapateira e a coisa se escapa e vai direitinha à cabeça do vizinho da mesa do lado...sim porque não é de bom tom pegar nos bichos à mão e sair toda lambuzada, para além da má figurinha que se faz quando se trata de um restaurante requintado.

 

Cá em casa, dou-me ao trabalho de descascar tudo, de aproveitar a água de alguns dos ditos bichinhos e cozinhar o arroz, sabendo que posso misturar tudo sem no final ter de engolir alguma barba de camarão.

Sapateiras e lagostas, por exemplo, são sempre marteladas previamente para que não hajam acidentes.

 

Com a crise que vivemos, não quer isto dizer que ando por aí a comer marisco à força toda, mas que de vez em quando sabe bem um extravagância lá isso sabe e se não pode ser com muita variedade, faz-se uma mariscada pobrezinha. 

 

E já que é de comer que falo hoje sentada aqui, deixo um pequeno segredo que aprendi há muitos anos para confeccionar arroz de marisco... quando está a ferver, vou-o borrifando com vinho branco, nem imaginam a diferença que faz, é de comer e chorar por mais.

 

 

Hoje por cá foi dia de voluntariado

Ainda no âmbito das comemorações do dia da mãe, uma escola aqui da cidade, resolveu oferecer um pequeno miminho a algumas delas. Depois de feitas algumas rifas treze mamãs foram contempladas com massagens

 

Antes disso telefonaram-me a perguntar se não me importava de as fazer a custo zero, claro que de imediato disse que sim

 

Desde a 10 da manhã até às 18 horas lá estive eu a massajar, usando as técnicas em que me especializei: reflexologia, relaxamento e massagens com ventosas. Como cada uma só podia dispor de meia hora a de relaxamento foi a mais escolhida, incidindo apenas nas costas que é a zona onde são mais frequentes as queixas.

 

Foi interessante ver as reacções, porque quase ninguém tinha experimentado. Umas quase  adormeceram, outras falavam sem parar e por último havia aquelas que saboreavam em silêncio. Saíam leves, com um brilhozinho nos olhos e com a intenção de um dia voltarem a repetir. Levei cartões e flyers e distribui-os. Tenho a noção de que o que hoje ofereci com gosto e boa vontade, talvez tenha retorno.

 

Fiquei feliz porque senti que pude proporcionar algum bem estar a mães que raramente têm quem as mime e carregam aos ombros pesadas responsabilidades.

 

No final ofereceram-me um lanchinho e um bonito vaso de alfazemas.

 

E agora sentada aqui, estou que nem posso, dores nas costas são mais que muitas, acho que me vou enfiar numa banheira e fazer um relaxante banho de espuma.

 

 

 

Não fosse um telefonema, quase me esquecia que hoje foi dia da mãe

Foto minha

- Mãe, parabéns!

Eram mais ou menos 10 da manhã quando recebi o telefonema dele. Fiquei comovida, claro.

 

Estava a algumas centenas de quilómetros longe dele, eu no meio de um paraíso a norte de Portugal, ele a trabalhar.

 

Embrenhada no silêncio  da natureza, só quebrada pelo piar das aves e pelo rumor do rio que deslizava calmamente, alheei-me de tudo e de todos e apenas tive como companheira a minha máquina fotográfica.

 

Por momentos lembrei-me da minha mãe que já partiu há muito e que nunca teve as oportunidades que eu tive, que nunca se pôde dar ao luxo de viajar como eu, que toda a vida teve de trabalhar arduamente, nem havia comemorações neste dia,  a ela devo-lhe sem dúvida aquilo que sou.

 

Com o meu filho tudo foi diferente e hoje sentada aqui, lembro-me que num dia como este, era ainda bem pequeno, foi colher um ramo de flores do campo e ofereceu-mas. Já mais velho e quando começou a ter o seu dinheiro as prendas já eram outras, mas aquelas flores certamente murcharam rápido, mas continuam bem viçosas no meu coração.

 

 

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