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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

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"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Brasil que vi há um ano atrás e o que se vê agora

S.Paulo- Foto do blog Existe um Olhar
 

Há pouco mais de um ano passei um mês no Brasil. Por ter lá família e amigos espalhadas por várias locais, tive oportunidade de visitar várias cidades...S. Paulo, Natal, João Pessoa, Rio de Janeiro e algumas praias pouco conhecidas, mas autênticos paraísos.

 

Todos tinham um óptimo nível de vida e viviam desafogadamente, muitos deles com segundas moradias. Engenheiros, advogados, arquitectos, médicos, bancários, etc.

 

Estranhei as grades enormes que todos eles tinham nas suas casas, sendo quase impossível transpô-las e fui logo avisada, para que não me aventurasse a andar na rua sozinha, embora em momento algum me tenha sentido ameaçada, o certo é que todos me contavam histórias de roubos e assaltos a moradias mesmos com grades.

 

Apesar de todos viverem bem, não fizeram questão de me esconder a corrupção que se vivia no Brasil, os transportes que não funcionavam, os professores mal pagos, a justiça e tribunais que não funcionavam e um rosário de injustiças que se viviam um pouco por todo o país.

 

Ao Rio de Janeiro fui numa excursão com pessoas de vários pontos do Brasil e com um guia extraordinário. Já nessa altura se estavam a construir uns painéis espelhados ao longo da auto-estrada que ligava o aeroporto ao centro do Rio, para que se escondesse a miséria e os turistas que viessem aos grandes eventos que estão anunciados , não vissem  a porcaria que estava para além dos painéis. O guia, sempre alegre e com espírito positivo, disse-nos que o Rio não era mais a cidade perigosa que todos nós pensávamos e que podíamos andar à vontade. Pelo sim pelo não saímos à noite em Copacabana , mas sempre em grupo.

 

Hoje assisto a um Brasil que parece explodir num grito de quem já não aguenta mais, não um grito de violência, como os media querem fazer crer, mas um grito pacífico de quem já não aguenta mais tanta injustiça.

 

Tive acesso sentada aqui a um programa de rádio  e ao comentário de Ricardo Boechat que, apesar de extenso, houve afirmações que retive. Há mais mortos por atropelamento, espectáculos de futebol,  de cantores famosos , ou no Carnaval, do que nestas manifestações.

Outra grande verdade dita por ele foi que os verdadeiros vândalos são aqueles que assinam contratos de concorrência,  têm imunidade, nomeiam compadres...

 

E termino como ele: "Bem vindo Brasil às ruas que te pertencem, ao mundo dos que não aceitam calados os absurdos o vandalismo a violência daqueles que governam este o país."

 

 

Como Jô Soares define um professor

 

 

 

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor.

É jovem, não tem experiência.

É velho, está superado

Não tem automóvel, é um pobre coitado.

Tem automóvel, chora de "barriga cheia".

 

Fala em voz alta, vive gritando.

Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta à escola, é um "Adesivo".

Precisa faltar, é um "turista".

Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.

Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó.

Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.

Não brinca com a turma, é um chato.

 

Chama a atenção, é um grosso.

Não chama a atenção, não se sabe impor.

A prova é longa, não dá tempo.

 

A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.

Escreve pouco, não explica.

Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala correctamente, ninguém entende.

Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude.

Elogia, é parvo.

O aluno é retido, é perseguição.

O aluno é aprovado, deitou "água-benta".

 

É! O professor está sempre errado, mas se conseguiu ler até aqui, agradeça-lhe a ele.

 

E depois de ler isto sentada aqui e perante o que está acontecendo no nosso sistema educativo, concluo que estamos longe de dar o devido valor e real importância do professor como elemento fundamental na construção do futuro do nosso país.

 

 

 

Desde quando se calendarizam greves?

Imagem da net

Não quero falar aqui do que penso sobre a greve dos professores à vigilância dos exames. Uma coisa todos sabemos, a greve é um direito que assiste a todos os que vivem em democracia.

 

O meu espanto foi quando li aqui as afirmações de Miguel Sousa Tavares  e ainda o comentário que fez na Sic dizendo que estava contra esta greve e um dos motivos que alegou foi que a calendarização do exame foi feito no início do ano lectivo, logo os professores deveriam evitar fazê-la neste dia, como se o povo português conseguisse prever as medidas que este governo tem vindo a tomar a cada dia que passa, qual delas a mais surpreendente, disparatada e injusta.

 

Com alguma ironia ouvi um professor dizer que o Ministério da Educação teria evitado toda esta bagunça se lançasse estas medidas depois dos exames, lá para Agosto, não deixa de ter razão, mas é sobejamente conhecida a falta de visão estratégica deste governo, não quero com isto dizer que estou contra esta greve, como não estou contra nenhuma outra que vise defender os mais elementares direitos dos cidadãos, sejam eles professores ou não.

 

Tudo o que li, o que vi me faz pensar sentada aqui que há gentinha que fala de barriga cheia, como é o caso deste senhor, que se passasse pelas dificuldades de pais, alunos e professores e do povo português em geral, ou se ganhasse o ordenado mínimo e dependesse de um subsídio de desemprego, não se atreveria a mandar bocas foleiras nos jornais e Tv e como calculo tudo pago a peso de ouro.

 

 

Como foi bom voltar ao Alentejo!

Foto de Sentaqui

 

A propósito do aniversário de uma amiguinha que vive numa pequena terrinha a 12 km de Elvas fui até lá. Curiosamente uma terra onde a escola fechou porque não há crianças. Ainda há jovens e idosos, casas bem arranjadas, ruas limpíssimas, flores, muitas flores, alegria e boa disposição.

 

Em vez de ir e regressar no mesmo dia resolvi pernoitar em Elvas e explorar uma série de recantos que há muito não contemplava. Percorri muitos quilómetros, ia parando aqui e ali e tirando fotos.

 

Sempre que não confiava no GPS parava e perguntava. A gentileza e simpatia do povo alentejano esteve sempre presente e cativou-me.

 

Almocei em Monsaraz e pedi uns carapauzinhos fritos com arroz de tomate, regados com um bom vinho e fui intervalando o repasto, conversando com o dono do restaurante, porque tinha um sonho de há muito: visitar o Alqueva. Deu-me com uma enorme paciência, todas as indicações que precisava. Hoje recordo que ainda estaria sentada aqui, caso esperasse que uma certa pessoa cumprisse a promessa de me levar lá.

 

O calor apertava e tive que parar para colocar protector solar nos braços, grande contraste com o friozinho que se fazia sentir a oeste.

 

Admirei embevecida as planícies, as herdades vedadas, o gado espalhado, os rolos de palha, os sobreiros aqui e ali, as rectas intermináveis, sem que se visse vivalma, as cores amareladas, intervaladas com verdes e alturas houve que parecia estar dentro de um quadro.

 

Soube-me bem, uma paz tomou conta de mim e espero que se prolongue pela semana toda.

 

Ficou a vontade de voltar, de revisitar outras zonas e de continuar a admirar as boas gentes alentejanas. 

 

 

 

 

Faz hoje 125 anos que nasceu Fernando Pessoa

Foto de Sentaqui
 

Poeta que admiro, poemas que emocionam, passem os anos que passarem será sempre um dos expoentes máximos da poesia portuguesa.

Em jeito de homenagem e sentada aqui, leio e releio um dos seus poemas que faz todo o sentido neste momento da minha vida.

     

      Não Digas Nada!         

 

Não digas nada!

Nem mesmo a verdade

Há tanta suavidade em nada se dizer

E tudo se entender

Tudo metade

De sentir e de ver...

Não digas nada

Deixa esquecer
Talvez que amanhã

 Em outra paisagem

Digas que foi vã

Toda essa viagem

 Até onde quis

Ser quem me agrada...

Mas ali fui feliz

Não digas nada.

 

 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

 

Ruy de Carvalho deixou de ser artista

Foto da net

Aos 86 anos de idade e 70 de profissão Ruy de Carvalho recebeu uma carta das Finanças que indica que já não é “artista” e passou a ser apenas “prestador de serviços”, deixando de ter direitos conexos e de propriedade intelectual.

 

Numa carta que escreveu no facebook o veterano actor mostra toda a sua indignação e revela-se indignado com o ministro das Finanças, que acusa de “institucionalizar o roubo”, perante “o silêncio do Primeiro–Ministro e os olhos baixos do Presidente da República”.

 

Não me admira que esta corja que nos governa queira tirar o estatuto de artista a quem o é de verdade, porque querem eles tomar-lhe o lugar.

São artistas na arte de roubar, surripiando pela calada os proventos de quem trabalha.

São artistas que sorriem em palco, quais palhaços que ao invés de nos fazerem sorrir, nos deixam amargurados.

São artistas de circo, fazendo malabarismos e acrobacias nunca vistas de rapidez tal que mal nos distraímos sentimos que voaram mais uns cobres das nossas carteiras.

São peritos em ilusionismo fazendo-se passar por exímios farsantes que escondem a verdade com artes mágicas que ninguém entende.

Sobem aos palcos com sorrisos ingénuos e actuações brilhantes no que toca a farsa e dramatismo.

O guarda roupa é fino para que ninguém possa desconfiar que em cena estão uns ladrões.

No final de cada actuação cai o pano e nos bastidores riem-se do Zé Povinho que nem força tem para reagir a tão péssimas actuações.

 

Citando Ruy de Carvalho:

É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!

E termina:

Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não têm muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito… porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!

 

Sentada aqui penso que não chegarei aos 86 anos com a lucidez deste senhor, porque antes disso e continuando a assistir ao descalabro a que chegou o nosso país, perderei o orgulho de ser portuguesa.

 

 

Carta para um anormal que eu julguei ser normal

Foto de sentaqui

"- Quando o conheci, fiquei imensamente comovida quando desabafou comigo e com as lágrimas a quererem-lhe saltar dos olhos, que no dia do seu aniversário, não tinha recebido um único telefonema e que passou o dia completamente sozinho.

 

Hoje dei por mal empregue a amizade que lhe dediquei, depois de descobrir que a sua vida é pautada pelo egoísmo, falta de educação e desrespeito pelos outros.

 

Agora entendo o motivo pelo qual as três mulheres o largaram e até os seus filhos cortaram relações consigo.

 

Sabe que o dinheiro, o carro topo de gama, os restaurantes cinco estrelas, não compram a felicidade, apenas podem encantar as mais incautas e que vêem em si um trampolim para gozar as coisas boas da vida, mas que depois de se aperceberem do ser pequenino que é fogem a sete pés.

 

O senhor pode frequentar os melhores Spa`s, fazer os mais caros tratamentos para manter um corpo aparentemente jovem, mas depois de ter  revelado o seu lado perverso, aconselho-o vivamente a procurar um psiquiatra, porque definitivamente o senhor está a ficar maluco e a continuar assim vai acabar sozinho, qual cão abandonado!"

 

Agora sentada aqui, não sei se estas palavras terão alguma repercussão no futuro deste senhor, julgo que não, porque de tanto olhar para o seu umbigo vai achar que a louca sou eu, certamente irei receber como resposta um chorrilho de insultos, mas quero lá saber, não sou mulher para engolir sapos e acho que devo dizer o que sinto e penso, depois de ter sido tão desrespeitada.

 

Como é meu hábito em situações que me magoam e desgastam, tento tirar as lições que a vida me colocou, faço "delet" e sigo em frente.

 

 

Por um dia voltei àquela casa

Foto de sentaqui
 

Contrariando a canção do Rui Veloso " Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz", resolvi voltar, apenas e só por um dia, poderão vir outros, mas não farei disso um hábito, nem nada está planeado.

 

Soube-me bem subir ao primeiro andar, abrir as janelas de par em par e mesmo que não as abrisse a paisagem era a mesma, igual a tantos dias lá passados donde se pode ver a imensidão azul do mar.

 

Abri as janelas, circundei a varanda, olhei o casario, as árvores e o rumorejar das ondas. Um ventinho cortante fez-me voltar para dentro, sem contudo perder a vista que tanto me fascina.

 

Fechadas as janelas, escutei o silêncio, quase ouvi o meu coração bater, era precisamente este silêncio que eu precisava sentir.

 

Olhei à volta, percorri a casa e sorri, porque ali estava tudo o que sempre sonhei e que consegui concretizar depois de uma remodelação feita há cerca de um ano e tal. Olhei os quadros que pintei, os móveis que substitui, os candeeiros, tapetes, cortinados e aquela cozinha espaçosa onde aqueci o almoço que levei.

 

Tudo preparado para ir para a praia, mas havia uma força maior que me prendia ali. Li, tirei fotos, vi um filme , refastelei-me no sofá e dei-me ao luxo de nada fazer nem em nada pensar. Deixei fluir.

 

A mesma força que me prendeu ali, foi igual à que me fez regressar, aquele lugar já não era meu, apenas tem pedaços de mim.

 

Agora já no meu ninho e sentada aqui, há o elevador que sobe e desce, as portas que batem, o barulho dos autoclismos, a discussão mais acesa, o arredar de cadeiras e tantos outros sons próprios de quem vive encaixotada.

 

Se me sinto mal aqui? Não, de modo nenhum, este é o meu refúgio, o meu porto de abrigo, a minha paz e tudo isto é impagável e cada minuto é vivido à minha maneira, livre e de vez em quando feliz!

 

 

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