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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Uma vida sem sinais de pontuação

 

Não uso vírgulas para respirar entre um momento e outro porque isso tira-me algumas fracções de segundo para viver.

As reticências coloquei-as de lado porque nada fica em suspense, não há dúvidas nem palavras que ficam por dizer.

Podia usar ponto e vírgula como sinal intermediário entre o que é e o que virá, mas isso importa? 

A exclamação de dor, alegria, ilusão, pesar, surpresa... ficou arrecadada, porque nada merece esse entusiasmo, por vezes vão e inoportuno, tudo vem e tudo vai, para quê perder tempo com coisas fugazes?

Já o travessão  deixa-me irritada porque não quero interpelar quem não me pode ou não quer dar respostas.

Entre aspas podia usá-las para me reportar a uma frase ou a alguém que me tenha marcado com palavras de  carinho, de ensinamentos ou de ternura, se as ouve, fiz questão de as esquecer, já que talvez e ironicamente, sou o que fico no meio delas.

Podia usar um parágrafo para mudar de assunto, mas que assunto? Só para dizer que acabei com os sinais? Isso quer dizer alguma coisa para alguém? Sou eu, apenas eu, correndo sem respirar, ávida de vida, de ser e recusando parecer.

Pensando bem enquanto estou sentada aqui, só há um que me seduz, a interrogação e pergunto-me porquê? Quando? Onde? Será? E mesmo esse em breve será abolido porque há muito que deixou de haver respostas, é que nem eu sei porque escrevi este texto cheio de sinais, uns mal usados, talvez... mas são apenas palavras correndo mais velozes que eu, que teimo em viver sem sinalética. 

 

 

Desde quando o tribunal decide qual a idade para ter melhor prestação sexual?

 

Fiquei incrédula quando li que Juiz reduz indemnização por desvalorizar importância do sexo depois dos 50 anos, quer dizer que sexo aos 50 já era?

Certamente esse senhor já deu o que tinha a dar e julga os outros por ele.

Conheço muita boa gente que nesta idade está no apogeu da sua actividade pelos mais diversos motivos... ou se separaram, ou os filhos já estão criados e já podem dar largas à imaginação sem stress, ou ainda tem feito uma formação exaustiva através de filmes, livros e de toda uma parafernália de meios que hoje estão ao alcance de todos, colocando em prática as mais refinadas maneiras de ter sexo do melhor e nem é preciso consultar o Kamasutra.

A senhora teve o azar de ter ficado num estado penoso e inconcebível, agora passados tantos anos reduzir a indemnização porque, segundo ele, aos cinquenta já se desvaloriza o sexo é o maior atentado ao bom senso, desconhecimento da realidade e uma grande falta de respeito pela vida íntima de cada um.

Conheço umas quantas cinquentonas que dão cartas às mais novas neste aspecto e sentada aqui, imagino que esse senhor devia ser assediado por uma delas e veria então como é que elas mordem.

 

 

 

Ai os homens! Será que falar verdade compensa sempre?

 

-Não achas que está na altura de mudares a tua maneira de vestir?- disse ele

-Como? perguntou ela espantada e incrédula.

-Com a tua idade , já não devias usar esses vestidos tão curtos, os decotes e as calças de ganga esfarrapadas.

Não estava a acreditar no que estava a ouvir. Era senhora que nunca usava mini saias e recusava-se a vestir aquelas saias compridonas que não a favoreciam por não ser muito alta. Não usava decotes daqueles que chegam ao  umbigo, mas também golas que lhe faziam comichão no pescoço, não eram o seu estilo. Digamos que não era nenhuma top model, mas também se recusava a parecer uma matrafona e vestia aquilo com que se sentia bem, sem pretender dar nas vistas.

- Pois eu bem vi como o senhor do violoncelo te olhava para o decote-continuou ele

- Não deves estar a bater bem da cabeça, eu até levava uma écharpe, como é possível que ele me estivesse a olhar para o decote?

Passado algum tempo conhecemos a Maria, uma pessoa simpática, simples, de trato fácil e que de vez em quando nos acompanhava nas caminhadas que fazíamos.

Um dia disse-lhe:

- Sabes ando indeciso, não sei se gosto mais de ti  que da Maria, gosto do estilo dela, calças desportivas, chinelinho de enfiar no dedo...vou falar com ela para saber dos sentimentos dela em relação a mim, depois digo-te o que decidi.

- Ah, não precisas dizer-me nada-respondeu furibunda- fica lá com a Maria do chinelinho e não contes mais comigo.

Deu meia volta, empinou o nariz, olhou-o com ar de desprezo e partiu.

Andou ali uns dias a bater mal, não que a separação lhe tivesse provocado grandes danos emocionais, o que mais a chocou, foi a falta de respeito e a sinceridade patética daquele sujeito.

 

 

Depois deste episódio fico sentada aqui a pensar que também nós mulheres somos complicadas, não gostamos que nos mintam, mas verdades consumadas desta forma são um verdadeiro atestado de burrice e falta de respeito.

Achas que sou bonito, professora?

 

-Achas que sou bonito professora? Foi a pergunta que me fez a primeira vez que me viu.

Menino já com fama de reguila, irrequieto, instável, irreverente, com baixa auto estima e catalogado há muito como o mau da fita.

- Claro que és! - respondi

-Achas mesmo? Não te importas com a minha cor de pele?

- Disparate...achas? A tua pele é cor de chocolate, e sabes que adoro chocolate? Tens uns olhos lindos e brilhantes, um sorriso que encanta, como posso não gostar de ti?

Pegou-me na mão e senti-o comovido, a partir desse momento tive noção de que o tinha conquistado. Não foi um aluno brilhante, mas empenhou-se, conseguiu o respeito que merecia por parte dos colegas que tantas vezes faziam chacota dele. 

Perdi-lhe o rasto, mas calculo que o meu "chocolate" , nunca mais foi o mesmo, pelo menos assim espero.

Hoje, Dia Mundial do Professor apeteceu-me contar este episódio, podia contar muitos outros que me encheram o coração e permitiram que nunca me tivesse arrependido de ter escolhido esta profissão.

Para todos os meus colegas deixo uma palavra de esperança e que vão conseguindo, apesar dos desvarios e decisões insólitas de quem está à frente dos destinos da educação em Portugal, nunca desistam, porque ainda continuo a acreditar que o melhor do mundo são as crianças.

E enquanto estou sentada aqui, apetece-me fazer uma pergunta ao ministro Crato:

- Gosta dos professores Sr. Ministro?

Não, não responda, pela maneira como nos tem tratado, já adivinhamos a resposta.

 

 

Só a música fez com que me sentasse aqui de novo

 

Hoje é dia mundial da música, começamos bem o mês de Outubro.

Desde que me conheço, que a música faz parte de mim. Ela assinala os momentos mais importantes da minha vida, é como se os músicos adivinhassem o que estava a precisar de ouvir e sentir. 

Momentos de paixão, de saudade, de partida , de desilusões e de muitas alegrias foram marcadas com temas que ainda hoje recordo.

Os meus silêncios são quebrados com acordes que me fazem voar para o mundo dos sonhos e das memórias.

 

Desde cedo comecei a cantarolar, decorava todas as músicas que mais gostava, exibia com alguma vaidade os meus dotes vocais.

Para desespero da minha mãe o rádio não parava de tocar de manhã à noite. A música minimizava a aversão que sentia quando tinha de fazer alguma tarefa caseira que com renitência tinha de desempenhar.

 

Os anos foram passando, o canto hoje é sussurrado baixinho porque não tenho quem me ouça, sou só eu comigo.

 

Os anos de euforia musical foram-se esvaindo e hoje relaxo, voo ao som de melodias e de acordes que provocam em mim uma miscelânea de sentimentos.

 

Sinto as letras de cada tema, vivo-as, revivo-as e adaptoa-as ao meu estado de espírito. 

 

Pouca me importa se ouço as mais actuais ou se marcaram épocas de outrora, não estou preocupada se sei ou não o último trabalho deste ou daquele músico, se é português ou estrangeiro, o mais importante mesmo, são aquelas que mexem comigo, que me arrancam lágrimas ou sorrisos, que me despertam emoções, algumas delas , há muito adormecidas.

 

E hoje sentada aqui, sinto alguma dificuldade em escolher uma para assinalar este dia, mas não quero nem posso deixar de o fazer.

Decidi-me  por uma canção que traduz a minha vontade e esperança de que amanhã o mundo pode ser melhor.

 

 

 

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