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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Nem tudo o que parece é

 

Como já falei aqui fui numa excursão visitar o Rio de Janeiro, Paraty e Petrópolis

Connosco ia o melhor guia que já alguma vez conheci, o Sr. Edson.

 

A sua competência era inquestionável e com uma memória que eu chamaria de elefante, para além de um conhecimento espantoso de todos os lugares por onde passávamos.

 

Responsável, assertivo, de palavra fácil e de um sentido de humor excepcional, adaptando-se a todos os feitios , mesmo àqueles mais difíceis que contornava com uma piada que desarmava mesmo os mais azedos.

 

Chegámos ao Rio com chuva, mesmo assim percorremos a cidade de autocarro e não havia canto que ele não conhecesse.

 

Em Paraty também fomos brindados com chuva e com se não bastasse um apagão  fez-nos caminhar noite escura até ao autocarro , metendo os pés em enormes poças de água, já que as ruas eram toscamente empedradas, mas nada que umas boas gargalhadas não atenuassem o desconforto sentido.

 

Para quebrar os momentos mais monótonos, o Edson lá nos ia contando autênticas anedotas de acontecimentos pelos quais passou durante 30 anos de trabalho. Uma delas passou-se com uma senhora de idade que viajava com a neta. A dada altura a neta chamou-o porque a avó se sentiu mal e estava a vomitar na casa de banho. De imediato foi ver o que se passava. Qual não é o espanto quando a idosa senhora lhe diz:

-Por favor, importa-se de tirar a minha dentadura que caiu no vaso(sanita)

-Eu? nem pense!

E aconteceu o que ele estava à espera e de olhar incrédulo vê a senhora tirar o dita, lavá-la e colocá-la na boca.

Como estas contou muitas e eu podia ficar aqui a contar umas quantas mais.

 

Já para o final da viagem e como ia nos lugares da frente a conversa teve um cariz mais pessoal. Fiquei a saber que tinha um filho, que vivia sozinho e que mal chegasse ia fazer exames médicos porque há dois meses tinha tido câncer no intestino, tiraram-lhe parte dele , mas só comunicou à família depois da operação, pior ainda foi saber que no ano anterior lhe tinham extraído parte do fígado. E falava daquilo com a maior naturalidade, como ter câncer fosse a coisa mais normal do mundo.

 

Não se deteve em pormenores e a boa disposição continuou dizendo que já tinha uma agenda muito preenchida e muito trabalho pela frente.

 

Ainda hoje penso sentada aqui como é possível uma pessoa encarar com tamanha naturalidade uma doença que a todos assusta e que todos desejamos que não nos bata à porta, nem a nós nem aos nossos amigos e conhecidos.

 

Da próxima vez que estiver pronta a queixar-me de uma enxaqueca qualquer prometo que vou ficar bem caladinha. 

 

 

 

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