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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Braga a meus pés

Graças a simpatia e disponibilidadedos dos meus anfitriões, tive oportunidade de conhecer um pouco mais da cidade de Braga, uma cidade que me surpreendeu pela sua monumentalidade, beleza natural e a conservação do património histórico.

Não foi possível ver tudo, já que o tempo passou a correr, mas hoje, sentada aqui relembro com saudades tudo o que vi e quero compartilhar.

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Estas são apenas algumas das muitas fotos que tirei em Braga e renovo aqui os meus sinceros agradecimentos aos meus amigos que me acompanharam e se disponibilizaram para me mostar a beleza desta cidade fantástica.

 

O Natal por aqui e por aí

 

Foto de sentaqui

 

Há muito que o meu Natal deixou de ser o que convencionalmente acontece por aí.

 

Por aqui não há o corrupio das compras de prendas, não há a corrida ao supermercado para comprar bacalhau, peru ou outras iguarias. Por aqui não há a árvore com luzinhas a piscar, nem tão pouco um presépio.

 

Por aqui não há família reunida, nem me desloco para visitar a que está longe.

 

Se estou triste por isto? Não, de modo nenhum, aqui é mesmo Natal quando eu e os que amo quiserem e isso acontece muitas vezes no ano.

 

Se gosto desta quadra? Não gosto nem desgosto, simplesmente há muito deixou de ter o significado que tinha nos meus tempos de menina.

 

A minha solidão natalícia é voluntária, é um tempo de paz, de recolhimento, de fazer o que mais gosto e talvez tenha uma ou outra refeição acompanhada pelo meu descendente, como acontece noutros dias do ano.

 

Evito as multidões que se atropelam nas ruas ou hipermercados a fazer as compras de última hora, algumas de olhar preocupado por não saberem ainda o que hão-de comprar para este ou para aquele, apenas porque tem que ser.

 

Também não condeno quem vive este tempo de maneira diferente da minha, para quem tem crianças e famílias numerosas deve ser uma época de muita alegria. Penso também naqueles que um dia tiveram tudo e hoje se vêem sem nada dependentes da caridade alheia e abandonados por aí num sofrimento e desdita, só comparável à aflição de Maria e José que viram o seu filho nascer numa manjedoura.

 

Eu vou continuar sentada aqui, vendo e relendo coisas que gosto, de lareira acesa e no recanto do meu lar.

 

E já que a fotografia é uma das minhas paixões, aproveito para deixar imagens fantásticas de um amigo fotógrafo que gentilmente me cedeu este vídeo  com fotos tiradas por esse mundo fora e que servem, para desejar a todos os que me acompanham e pelos quais nutro grande amizade e simpatia festas felizes, hoje e sempre.

 

 

 
 

-Somos predadores, uns comem outros são comidos

Este foi um daqueles fins de semana em que não houve um minuto de tédio, desde ter a casa num reboliço porque amanhã entram os pintores por aqui dentro, até ter de servir de cicerone a pessoas amigas que por motivos profissionais, tiveram de se descolar para o oeste, tive também direito a cruzar-me com um gajo, sim gajo, repito, embora não seja normal utilizar esta linguagem quando estou sentada aqui.

 

Gosto de conviver, de conhecer gente nova, de partilhar ideias e conhecimentos e nunca crio expectativas negativas em relação às pessoas que se cruzam comigo, até prova em contrário.

 

O saldo foi positivo, porque a diversidade de vivências, de formas de pensar, de outros modos de vida, são sempre uma mais valia, quanto mais não seja aprendemos a fugir depois de ouvirmos algumas barbaridades.

 

Depois de enumerar com fingida humildade muito do património que possui, o gajo que mencionei, atreve-se a dizer-me:

-Sabes, vivemos numa selva, somos predadores, uns comem outros são comidos. Deduzo que lhe saiu da boca tamanha bacorada, porque não mostrei interesse em passear no seu veleiro de 12 metros, apesar de gostar de motos também não lhe pedi para dar uma voltinha, o carro descapotável que tinha ficado na garagem também não serviu para me aliciar. Calculo que na mente deste predador eu seria uma presa apetecível, só que lhe saiu o tiro pela culatra e em vez de caçar, fui eu que saboreei um belíssimo jantar num restaurante caríssimo, pago, claro está, pelo senhor gajo, que pode vir coberto de ouro, que eu estarei na selva, feita macaca a saltar de galho em galho a fugir de animais selvagens deste estilo.

 

 

Pedro Abrunhosa no Festival do Crato

 

 

 

 

 

Nunca tinha ouvido cantar ao vivo o Pedro Abrunhosa, sobre o festival do Crato fui sabendo através de notícias e estava longe de imaginar que ia ter oportunidade de ir, não fosse um grupo de amigos ter-me convidado.

 

Estadia em Vila Velha de Rodão e à noite lá fomos.

 

Outros grupos actuaram , mas ia tudo motivado para ver o Pedro, eu era a única que nunca o tinha visto actuar.

 

Gosto das músicas dele, sobretudo das letras e apesar de haver gente que diz que ele não canta, ou nem tem uma voz por aí além, eu tive a prova de que tem uma grande voz e uma presença em palco espantosa. Sabe agarrar o público a ponto de a determinada altura sentirmos que somos nós (público) que somos as estrelas.

 

 

Outra das coisas que me encantou foram as frases de intervenção sobre o actual estado da nação, que ia intervalando entre cada canção, habituada a que estou a ouvir outros cantores cujas músicas são realmente conotadas de intervenção, surpreendeu-me esta atitude por parte dele, levando o público ao rubro.

 

Foram mais de duas horas de delírio, de pulos, de gritos, de gente que sabia de cor a maior parte das canções, de energia explosiva em palco e de emoções...enfim um espectáculo que dificilmente vou esquecer.

 

Antes de tudo começar, deliciámo-nos com os bons petiscos alentejanos, nalgumas das muitas tasquinhas espalhadas pelo recinto.

Estava eu agarrada a uma óptima sanduíche de presunto, quando de repente vejo um casal amigo de Barcelos e que lhes tinha perdido o rasto há mais de dez anos...foi a alegria total, como o mundo é pequeno! Nunca nós imaginámos que nos iríamos reencontrar tão longe das nossas terras. Conversa, muita conversa, troca de telemóveis para que possamos de novo estar mais perto.

 

Um fim de semana inesquecível em que apetece ficar sentada aqui agarrada a esta música e a trautear...

 

 

 
 
 

Memórias fotográficas

A entrega dos Óscares já lá vai e muito já se falou e escreveu sobre o assunto, mas enquanto olhava para certos actores e actrizes que vi há muito em filmes em que a juventude, o glamour, lhes estava estampada no rosto, pensei que apesar do envelhecimento natural, nada lhes  tira as qualidades dos grandes senhores e senhoras do cinema.

 

Recordei o maravilhoso capitão Von Trapp que apesar dos seus 82 anos ganhou uma estatueta e ver a Meryl com os seus sessenta bem assumidos, continua a ser uma mulher com um talento notável e nestes ou noutros casos, não são as rugas e a idade que impedem que mostrem as suas qualidades profissionais, já não não falo das pessoais porque não convivo com eles, apenas poderia especular e arriscava-me a fazer maus juízos.

 

Vem toda esta conversa a propósito da fotografia e da minha relação com a máquina fotográfica.

 

Tudo começou há umas dezenas de anos atrás.

 

Quando o tio Manuel vinha passar uns dias de férias lá a casa, os quatro sobrinhos ficavam radiantes, não só por ser uma pessoa de trato fácil e carinhoso, mas porque à tiracolo trazia sempre a sua máquina fotográfica, uma Kodac prateada, envolta num estojo de couro castanho.

 

Nunca nenhum de nós se atrevia a tocar-lhe, mas sabíamos à partida que íamos ter uma sessão que era feita quando e onde ele entendesse.

 

Eu, a mais velha de quatro irmãos e única rapariga, fui sem dúvida a mais fotografada e já nessa altura sem que tivesse consciência disso fazia pose e a mãe vestia-me as fatiotas mais bonitas. No jardim no meio das flores, em cima da velha Zundapp 250 do pai, à janela, ao portão, tudo servia de cenário para uma bela foto que só voltaríamos a ver meses mais tarde quando ele voltasse com elas já reveladas.

 

Os anos passaram, a vida mudou, cresci, comecei a trabalhar e fui comprando umas maquinetas dessas simples para atestar alguns momentos mais importantes da minha vida.

 

Lembro-me que numa certa altura fiz parte de um grupo de amigos que faziam caminhadas e um dos elementos tinha um maquinão, que hoje penso fosse uma Nikon e fazia-me alguma impressão quando ele parava junto duma flor e demorava imenso tempo para tirar uma simples foto. Na altura, nada perguntava, hoje sei que se tratavam de belas macros que depois me enviava por mail.

 

Por tudo isto e sem que desse por isso o bichinho da fotografia foi-se instalando até que sem perceber nada do assunto resolvi comprar uma máquina a sério antes de fazer uma grande viagem.

 

E hoje sentada aqui e olhando para as fotos dos meus álbuns de infância, recordo e agradeço a quem me tem ajudado e ensinado o pouco que sei  e o muito que quero saber....mas disso talvez fale um dia num outro post.

 

Agora tenho sempre comigo  a minha amiga inseparável que sabe-se lá porquê está sempre pronta a disparar porque existem olhares que não quero esquecer.

 

 

No Natal também os amigos são a minha família

Foto sentaqui

 

Este é o último post que escrevo antes do dia 25. Andei aqui a pensar na melhor maneira de desejar a todos um Natal Feliz, sem cair nas palavras que sempre estamos habituados a ouvir, penso que não vou conseguir, mas...

 

Os anos vão passando e muitas coisas se alteram na vida das pessoas. Uns partem, outros separam-se, outros ficam doentes e os natais alteram-se consoante as circunstâncias.

 

Hoje concluo que o elo mais forte nesta época festiva eram os meus pais. Por eles e com eles , filhos, noras e netos juntavam-se e partilhavam a mesma mesa.

 

Depois de partirem o elo quebrou-se, não quer dizer que a família se tenha desmembrado, há sempre um sentimento de união , mesmo estando longe uns dos outros, não tem que ser forçosamente no Natal que nos juntamos, sei que estão sempre lá e o carinho que sentimos uns pelos outros é o mesmo seja em que altura do ano for.

 

Então e eu?

 

Este ano a caixa dos enfeites de natal e a árvore ficaram arrumadas, na casa nada faz lembrar esta época, não é que isso me incomode, porque o Natal não é feito de enfeites , mas de sentimentos. Felizmente tenho um filho que pensa da mesma  forma que eu e que estará a trabalhar nessa altura, sem que isso o incomode, apenas quer que eu esteja bem e eu quero o mesmo para ele.

 

E não é que estou bem?! Tenho os meus amigos e sinto-os preocupados quando me telefonam a perguntar onde vou passar a noite de 24 e até foi um pouco difícil escolher para onde ía.

 

Depois tenho outros amigos não menos importantes que os reais, os meus queridos amigos da blogosfera, uns que conheço pessoalmente, outros virtualmente e que me acompanham hoje e em todos os natais já passados e espero que o continuem a fazer nos vindouros.

Hoje é para todos que dedico estas linhas, faço-o com todo o carinho, dedicação e amizade que me une a todos vós.

 

Gostava que neste final de Dezembro marcasse o início de muitos sonhos, de alegrias salpicadas de sorrisos, de esperança em dias melhores, de novos objectivos que com audácia possam ser perseguidos, que a tolerância, a justiça que nem sempre se faz sentir ao nosso lado, brote acima de tudo do coração de todos nós. Insistam e persistam.

 

E eu bem parecia que, enquanto estava sentada aqui, não conseguia acabar sem desejar a todos um FELIZ NATAL

 

 

 

É sempre bom ter alguém amigo num hospital

Felizmente nunca estive internada num hospital, apenas o ano passado passei uma horita num da Suiça, porque fiz alpinismos demasiado violentos e o pobre do esqueleto não aguentou e na manhã seguinte o corpito mal mexia. Nada partido, tudo no sítio, apenas os músculos resolveram conspirar e uniram-se todos contra mim. Umas quantas radiografias e um anti inflamatório resolveram o assunto e no dia seguinte estava pronta para outra.

 

Esta semana vi-me num átrio cheio de gente, onde o barulho era mais que muito, teria ficado assustada se não soubesse que por detrás havia alguém amigo que me vinha buscar e tirar da confusão que é entrar no Hospital de Santa Maria.

 

Subimos ao 6º andar, onde reinava o silêncio. Dois tubos de sangue saíram do meu braço e à noite já me telefonavam a dizer que estava tudo bem.

 

Faltava a sitologia, aí estive sozinha e à espera que me chamassem. Deitei-me na marquesa e espetaram-me uma agulha na garganta e em menos de cinco minutos estava despachada e com um penso no pescoço, para assinalar o feito.

Daqui a oito dias já saberei se o resultado, que pelo que ouvi, não vai ser preocupante.

 

E agora estou sentada aquia pensar nos pobres desgraçados que têm a infelicidade de cair de páraquedas naquele mundo de loucura, sem apoio, sem amigos, e entregues à sua má sorte.

 

Não devia ser assim, todos deviam ser tratados como eu fui, tivessem ou não amigos no hospital e é inevitável fazer a comparação entre um hospital na Suiça e neste que conheci. Lá não há barulho, nem altifalantes, nem um salão enorme onde se mistura a banca do café e dos bolos de arroz, com os recepcionistas a darem informações em catadupa, nem casas de banho à pinha, nem cadeiras apinhadas de gente à espera.

Lá os horários são cumpridos, não há cheiros esquisitos que noutra altura me tinham feito cair para o lado.

 

Será que cá também há hospitais onde as pessoas são tratadas com dignidade? Se calhar até há, mas calculo que sejam apenas aqueles em que se tem de pagar uma pipa de massa, para que seja prestado um serviço decente a que todos os cidadãos deviam ter direito, independentemente do muito ou pouco dinheiro que têm no bolso.

 

 

E se cada um de nós pudesse ter uma ilha?

Durante cerca de hora e meia navegámos a grande velocidade no lago Titicaca até chegarmos às ilhas flutuantes, as ilhas dos Uros.

 

 

Encostámos o barco a uma delas e lá estavam eles enfileirados, prontos a dar-nos uma mãozinha para descermos.

 

Todas as ilhas à volta eram feitas de junco. Sentámo-nos num rolo e ouvimos atentamente a explicação de como constróiem as suas ilhas.

 

Cortam cubos de junco, espetam-lhes um pau ao meio, atam-nos todos com uma corda e depois estendem umas cordas que ficam submersas a um outro lado mais distante e seguro. Depois é só começar a cobrir com molhos de junco seco e amarelo.

 

 

 

 

A casa é comum para todos, ali dorme toda a família. Há que construir os barcos para caçarem patos que depois secam e lhes servem de alimento e também o muito peixe que por ali abundam.

 

 

 

 

 

As mulheres entretêm-se a fazer os tapetes coloridos e os espantas espíritos que são expostos numa vara e que são um atractivo para os turistas que não resistem a gastar alguns "sol" (moeda peruana).

 

 

 

 

Os turistas pagam a visita, não faço ideia de quanto é, porque foi incluída no pacote.

 

Não pagam impostos, já que o governo reconhece que não têm meios para o fazer e há a mais valia de divulgarem os costumes e tradições, que são tão bem preservadas neste país.

 

Tivemos direito a um passeio de barco feito de junco apenas empurrado por remos e que deslizava suavemente no lago.

 

 

 

Estou sentada aqui a pensar como seria bom as pessoas poderem ter a sua ilha, onde pudessem reunir os amigos, onde existisse paz, alegria e muita confraternização.

 

Uma ilha cheia de gente boa, sem governos, sem leis, sem guerras de poder, sem ambição por coisas fúteis, sem perigos para as crianças, sem armas, sem interesses monetários, nem cobiça pela felicidade do vizinho.

 

Eu quero a minha ilha, é em sonho, eu sei, mas que me deixem pelo menos de vez em quando refugiar nela e juntar todos os que amo e todos os meus amigos, penso que teria de ser uma ilha enorme.

 

 

Amigos que partem e outros que chegam

Foto de Sentaqui

Nesta altura reina uma certa acalmia na blogosfera...pessoas que gozam de merecidas férias e de quem sinto a falta, porque já me habituei a esta rotina boa, em que sentada aqui, vou lendo, aprendendo e interagindo.

 

Tenho a sorte, se é que assim posso dizer, de poder sair sem ser nesta altura do ano, o que considero um privilégio, já que é difícil encontrar alguma paz nestes meses de Verão. Trânsito intenso, praias a abarrotar, preços que sobem, mau atendimento muitas vezes, são alguns dos factores que me fazem desistir de ir muito além da meia centena de quilómetros.

 

Compreendo que muita gente se pudesse optar faria o mesmo que eu, mas quando há crianças em idade escolar fica-se sujeito a estes meses, para usufruirem de algum descanso. Outros que não podem ir para destinos paradisíacos, têm que aproveitar os raios de sol do nosso cantinho, que este ano têm sido escassos em algumas zonas do país.

 

Para mim é hora de receber, de visitar e de rever amigos que há um ano não via. São gratificantes as tardes de conversa acompanhada de bons petiscos e bebidas fresquinhas. Cada um cozinha o que mais gosta e é comum ver nas noites de Verão um corrupio entre uma casa e outra, trocando sabores dos quais já me tinha esquecido.

 

Em alpendres debruados com trepadeiras, velas acesas aqui e ali espalhadas pelos cantos  relvados, música que toca baixinho, copos que tilintam em brindes sentidos, gargalhadas que quebram o tom da surdina das conversas, bocejos que surgem quando a hora já vai alta, são adereços simpáticos e reconfortantes que atenuam a saudade que sinto dos que partem e antevejo já a alegria que vou sentir quando regressarem.   

O abraço que não quero esquecer

 

 

Depois de ler Adopção, gritos mudos ou tudo o que tenha a ver com crianças que tiveram a sorte de encontrar uma família, não fico indiferente, sobretudo há uns anos a esta parte.

 

Desde que acompanhei de perto, mesmo estando longe a luta de um casal amigo, emigrantes na Suíça, tentando a todo o custo e durante dez anos, ter um filho, a minha  atenção para estes assuntos ficou mais apurada.

 

Dez anos de sofrimento e uns quantos mais de espera para conseguirem adoptar uma criança. Não o conseguiram em Portugal, mas quis o destino que encontrassem na Etiópia uma menina, hoje com três anos feitos há pouco.

 

Tenho assistido de perto ao desenvolvimento da M. Loreena e fico impressionada ao lembrar uma bebé frágil, transformar-se aos poucos numa criança cheia de vida, alegria, graça e felizmente muita saúde.

 

Ainda não passou um ano desde que estive na Suiça, onde pude durante uns tempos conviver com ela que cresce a olhos vistos rodeada de muito amor e carinho.

 

Como é hábito vêm a Portugal passar um mês de férias. Chegaram há dias e para meu espanto a bebé que mal balbuciava umas quantas palavras hoje fala na perfeição português e alemão, para isso talvez tenha contribuído um dia e meio por semana que passa na creche e o resto do tempo com os pais, sobretudo com a mãe que pôde deixar o emprego para acompanhar de perto o crescimento da sua filha.

 

Ao ver a felicidade destes pais penso em tantos outros que esperam, sem desistir, que chegue o dia em que terão uma criança para adoptar o que não é fácil, já que em Portugal há mais candidatos do que crianças disponíveis para adopção. Penso também em tantos meninos e meninas espalhados por esse mundo fora, vivendo em condições desumanas e que poucos, muito poucos, terão a sorte da M.

 

E não consigo esquecer aquele abraço meigo e carinhoso que recebi e que dei, porque há momentos que não devem ser esquecidos e sentada aqui escrevi, registei e recordarei para sempre, com alegria e comoção, a menina que ao ver-me abriu os braços, sorriu e pronunciou o meu nome, como se nos víssemos todos os dias.

 

Apetece-me recordar outra Loreena, a Mckennitt e ouvir " The visit" , ao mesmo tempo que sonho e desejo que  diminuam no mundo o número de crianças que passam fome, que não têm família e que não vivem, sobrevivem

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