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Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Sentaqui

"A maturidade permite-me olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura." (Lya Luft)

Ler também é viajar

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Foto minha

Subi as escadas e escolhi um livro de poemas.

Viajei sentada aqui com os versos de Mia Couto

Amei-te sem saberes

No avesso das palavras 

na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos nocturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas
a espera do silêncio

Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'

Não se acostume com o que não o faz feliz

 

Foto de Sentaqui

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Silvana Duboc

 

Num momento de pausa, de reflexão, onde nada que pudesse dizer teria importância, aguardo sentada aqui e com muita esperança, a vontade de banir da minha vida tudo o que não me faça feliz. É fácil? Não não é, mas quem disse que a vida era fácil?

 

 

Faz hoje 125 anos que nasceu Fernando Pessoa

Foto de Sentaqui
 

Poeta que admiro, poemas que emocionam, passem os anos que passarem será sempre um dos expoentes máximos da poesia portuguesa.

Em jeito de homenagem e sentada aqui, leio e releio um dos seus poemas que faz todo o sentido neste momento da minha vida.

     

      Não Digas Nada!         

 

Não digas nada!

Nem mesmo a verdade

Há tanta suavidade em nada se dizer

E tudo se entender

Tudo metade

De sentir e de ver...

Não digas nada

Deixa esquecer
Talvez que amanhã

 Em outra paisagem

Digas que foi vã

Toda essa viagem

 Até onde quis

Ser quem me agrada...

Mas ali fui feliz

Não digas nada.

 

 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

 

Viver, viajar e ver somente

 

Hoje dei por mim  a contar o tempo que passou desde que fiz a última viagem.

Parece que foi há uma eternidade que visitei o Peru, a Suíça e o Brasil, afinal foi há menos de um ano.

Perdi a esperança de voltar a voar tão depressa, não que a vontade me falte, mas os cortes financeiros que eu e tanta gente sofreu, levam-me a repensar a minha vida e a ter alguma contenção nas despesas.

Habituei-me a fazer pelo menos uma grande viagem por ano, hoje e por enquanto, não o farei, mas como não sou pessoa de ficar muito tempo no mesmo lugar, optei por me perder em recantos magníficos do nosso Portugal e de vez em quando, de máquina fotográfica na mão parto muitas vezes sem destino, sem nada marcado, sem GPS e sinto de novo aquela liberdade e sensação de que não fui feita para ficar eternamente sentada aqui.

Olhando para trás recordo um poema de Fernando Pessoa que deixei escrito aqui.

 

Viajar, perder países

Ser outro constantemente

Por a alma não ter raízes

De viver e ver somente

 

Não pertencer nem a mim!

Ir em frente ir a seguir

A ausência de ter um fim,

E a ânsia de o conseguir!

 

Viajar assim é viagem

Mas faço-o sem ter de meu

Mais que o sonho da passagem

O resto é só terra e céu!

 

 

Prémio Pessoa

Foto de Sentaqui

 

A propósito do prémio Pessoa atribuído a Richard Zenith, hoje fico sentada aqui recordando um dos muitos poemas de Fernado Pessoa, ou será Alberto Caeiro, ou Ricardo Reis..isso importa?

 

Sorriso Audível das Folhas

 

Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

 

 

Eu adoro voar

Foto de Sentaqui
 

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

 

Sentada aqui, leio e releio estas palavras e sinto que poderia ser eu a escrevê-las, mas como não fui capaz, resta-me apenas senti-las.

 

 

 

Porque hoje é o dia do escritor

Foto de Sentaqui

Hoje, sentada aqui deixo um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, podia deixar de tantos outros escritores que admiro, mas esta foi a forma que encontrei  de homenagear tantos e bons escritores que povoam as nossas horas de recolhimento com as letras.

Já dizia Fernando Pessoa:

 

"Escrever é esquecer.

A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida!"

 

PORQUE

 

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

                      Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

 



Manuel Alegre sugeriu que os políticos lessem todos os dias um poema

 

Ora aqui está um bom conselho, dado por Manuel Alegre :políticos leiam todos os dias um poema, faz bem à saúde ao espírito e até à política, eu até acredito que sim, talvez olhando para as rimas se possam alhear por alguns instantes das pressões que sofrem e infligem aos outros e lhes liberte e limpe a mente e fiquem mais iluminados para o rumo que devem dar a Portugal.

 

Eu não sou política , mas vou seguir o conselho e a minha escolha recaiu no sábio Fernado Pessoa

 

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

 

E depois de estar sentada aqui a ler o poema há uma frase que não quero esquecer passem os dias que passarem:

" Não se acostume com o que não o faz feliz"

 

 

Um poema para vos desejar um óptimo fim de semana

 

Nunca tinha ouvido falar de Pablo Neruda, dos poemas dele nem sonhava que existissem.

 

Um dia um amigo, numa altura difícil da minha vida enviou-me este poema e foi como que um clarão de luz tivesse iluminado o que andava escondido. Andei durante muitos anos convencida que o poema era dele, até que um dia li aqui, que afinal pertence a Martha Medeiros, seja como for foi e continua a ser um poema marcante na minha vida.

Deixem que sentada aqui o partilhe convosco e sintam que talvez nalgum dos versos se identifiquem se revejam e reforcem toda a capacidade de luta que todos temos e que por vezes está camuflada e que haja coragem de mudar, de ousar, de arriscar, de virar a mesa, de gritar e de nos recusarmos a morrer lentamente.

 

Esta foi a forma mais sentida de vos desejar um bom fim de semana.

 

Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.


Bom fim de semana

 

Se você quiser me contar seus segredos
Sou de todo ouvido.
Se os seus sonhos não derem certo,
Estarei sempre lá para você.
Se precisar se esconder,
Terá sempre minha mão.
Mesmo se o céu desabar,
Estarei sempre contigo.
Sempre que precisar de um lugar,
Haverá meu canto, pode ficar.
Se alguém quebrar seu coração.
Juntos cuidaremos.
Quando sentir um vazio,
Você não estará sozinha.
Se você se perder lá fora,
Te buscarei.
Te levarei prá algum lugar
Se precisar pensar.
E quando tudo parecer estar perdido,
E você precisar de alguém
Eu estarei sempre aqui.

 

(Martha Medeiros)

 

Eu estarei sentada aqui para ouvir, ler, sentir e desejar um fim de semana radioso para todos.

 

 

 

 

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